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janeiro 04, 2017

My litlle broder



Vitor 
Essa é apenas pra me me lembrar que fiz uma viagem incrível  (a 1ª!) com meu irmãozinho. Chaato, inteligente, capricorniano, silencioso, responsável. E outras coisas...  Essa música que ele mais gostava de ouvir. Eu também gostei. Somos parecidos em gostos musicais, e poéticos. Ele Terra. Eu Fogo e Ar.
Brigas constantes...rs.  Divina diferença. Amo-o. 

Self - (olhar pra dentro)

 Sinto que posso ser qualquer coisa. Fazer essas coisas pelos outros;
será uma sensação só (?) algo improvável de super'' .."?
tenho sentido que posso tocar pessoas.
Toco com delicadeza, e isso me envolve, e me satisfaz.
me comove. estar feliz.
Ter alguma serenidade.
Alcançar um olhar derivado de muito pensar.
de muito meditar, e depois disso, somente, um estar,
um prazer sem nome,
sem estado definido
Um a ambiguidade volátil
porém sólida.
É possível sim.

O estar-com -os-outros,
faz-com-que-estejamos-todos-
-num-mesmo-estado-dialógico.

Bem. Sim. Este é um momento.
Haverão muitos outros.
O estar-com -outros, é um lugar de uma atmosfera de ar novidade,
mundos respiráveis
de cheiros e discordâncias.
Amáveis seres, e suas delicadezas respiráveis,
tocáveis,
ambiguidades impalpáveis,
densidades leves improváveis.
Capazes os seres humanos de se superarem.
Absorvo.
reaprendo.
Renovo-desenvolvo.

O que mais nos aguarda, nós mesmos...



Deja vù - (atrasado)

Uma variável da mesma nota,
a mesma melodia ressoante, mas
que repercute de modo inusitado, como se fosso outro/a
Como se talvez nunca ouvido.

Sabe, como se essa melodia soasse,
uns dizeres, uns sons, grunhidos
Que apalpando as .t.exturas de minhas vozes
internas,
fizessem o som
mudo
surdo
alto
grande
alarde
discreto
honesto
meu
que dizia,
eu era um rapaz latino americano,
que ouvia um som som sem nome,
porque tudo tudo haveria de ter uma nomenclatura
e a deste som era o ensurdecedor,
e s p e r a r.
A coisa mais doída.
e doida, era o esperar.
Um som que dissesse aquilo que ele era,
e pra que veio.
Sem isso:
nome, sobrenome, endereço, destino, intento,
qual minto...  Nada és.
Tudo tudo inventas.
Nada és. Quem deras fosses...
E outros estares, bestas, tal como (como) Manô de Barros,
saberia dizer melhor, e tu não finalizas.

pronto.
cá. é fim.


Maria Ribeiro Photo

dezembro 17, 2016

Perguntas

Há amanhãs,
hojes, ontens.
 E todos eles significaram, e se reviraram antes de se decidir a ser.
e.... depois de escolher
Houve um suspiro;

Eu era tu;..
e tu era o que eu deveria ter sido
e, enquanto isso..
Eu queria tantoo, tanto, e ser tanto
Ser novo, ser jovem, ser outro, ser quem?

Seria esta eu mesma
num segundo estático estágio
nível subterrâneo
Pessoa outra,
que não se reconhece
tantas faces( e teus sinceros subterfúgios) 0
quem é essa no espelho, que te olha..?




dezembro 01, 2016

Estado Lúcido

Brecht e a sensatez

Dificuldade de governar
1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo como é difícil governar.
Sem os ministros
O trigo cresceria pra baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra. Nunca mais haveria Guerras. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável que o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2.
E também é difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras aviadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo poderia falar-lhes na existência de arados?
E que seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio, onde já havia batatas.
3.
Se governar fosse fácil
Não haveria necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria patrões nem proprietários.
E só porque a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4.
Ou será que
Governar só é assim tão difícil, porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Bertold Brecht.

Tupiniquéins

Coktail pra os podres poderes,
elá fora os gazes, as bombas, as coisas que não dizem
Ainda que não venha tanto escrever cá, como antes, tenho pensado em toda essa conjuntura política de agora.  Todo esse ódio, que foi reprimido, ou melhor, até ocultado esses anos, décadas, enquanto o fosso social se alargava e se aprofundava. Alguns filmes refletem bem o que estou  pensando, como ''Mãe só há uma'', e ''Aquarius''. Finalmente ter conseguido que a empregada possa ter carro próprio, possa viajar de avião, possa ter férias remuneradas, tudo isso sempre foi de direito cidadão, mas não havia. (Ainda falta serem vistas como gente, assim como a negritude ser desmarginalizada, como sempre foi).

Mas ter pessoas próximas à você, apoiando os que vestem camisas da CBF, tiram selfies com policiais truculentos, trazem trios elétricos show-parada-desfiles de verde e amarelo.... É realmente embaraçoso. Parentes, família.  Esse é um dos focos. Não tenho vergonha nenhuma de ter ido à passeatas desde os 17 anos, em Salvador.  Há muito tempo que o vermelho, e as camisas da CUT, trabalhadores, operários, estudantes, grevistas, fazem parte de meu crescimento político. Não tive esse exemplo em casa.  Não há, acredito nenhum idealista, mas sempre houveram livros pra tal.  
Imagino que você deve estar pensando algo parecido com o que eu mesma penso; livros e cultura, ou informação não formam a ética, e o caráter de ninguém. E é verdade, fosse por isso, não haveriam tantos analfabetos políticos universitários, e tantos militantes, com vasta vivência e experiência nas desigualdades, nas injustiças diárias, na plena invisibilidade deles e sua comunidade, e isso sim forma caráter.
A questão aqui é de caráter moral: é insuportável pra a classe A ter o filho estudando na mesma escola/faculdade que a chamada classe C, D.. Ter bens que antes não tinham, ter o mínimo de poder econômico, flexibilizar o fosso social que sempre houve.  Pra os abastados (economicamente, mas não emocionalmente),  a hierarquia é vertical, cada um no seu devido lugar, e com os programas sociais, os projetos populares, as linhas que dividiam cada grupo estão mais fluidas... Impensável, e ameaçador pra uns, libertador pra outros, muitos. 

De qualquer forma, o ódio agora tem passe livre pra se espalhar por aí, agressões estão rolando à vista de todos, os alienados continuam seguindo a manada de alienados, e lendo a Veja e vendo a Globeleza, ou indo às compras da BlackFriday. Os trabalhadores fudidos, continuam fudidos, (só que agora mais que antes), e com promessas de irem mais abaixo da linha da dignidade...Os ímpios agora podem ladrar à luz do dia impunes. Enfim, em terras de Tupiniquéns, o horizonte continua o mesmo folhetim de paródia. Só que pior.


julho 16, 2016

Destinatino

E há outra coisa. Há uma escolha feita feita há muito tempo.
Algo que não se muda. Nem com a passagem do tempo, nem com as feições envelhecidas e leves.
Não há dificuldade. Sempre é, e pra sempre esteve ali. Tenho essa escolha. Ela foi feita. Escolhida, dentre outras. E não me vejo repercutindo. Outros lugares e estados, mas é. 
Sempre confiei mais em minha intuição, que em meu verbo dialógico. Mas não se perca de mim poesia...!
Falas minhas, e noutros discursos, brevidade escapatória...
Tu me escutas, só tu, o meu verbo que ecoa e ressona no horizonte de meu além ser...

Sempre é chamado. Às vezes atendido. 






(Amanhã falo do Temerário. Amanhã falo do machismo que me insulta e condeno. Amanhã falo dos anjos e impérios, do inconstante e do perpétuo, do que for terreno, seja lá o que for, do eterno e sagrardo, se isso tb for..)

dezembro 15, 2015

Asas do Desejo

"Quando a criança era criança, andava balançando os braços
desejava o riacho ser rio
que o rio fosse torrente
e essa poça o mar.
Quando a criança era criança, não sabia que era criança.
Tudo era cheio de vida, e a vida era uma só.
Quando a criança era criança, não tinha opinião.
não tinha hábitos, sentava-se de pernas cruzadas, saía correndo, tinha um redemoinho no cabelo, e
não fazia pose pra fotos"

Win Wenders, Asas do Desejo
''Enfim louca, não mais solitária.
Enfim louca,. enfim liberta.
Enfim louca, enfim em paz.
Enfim uma tola, uma luz interior."



                                   Asas do Desejo, Win Wenders, 1987.




















(Mas isso é o bobo, o trickster..!)

novembro 24, 2015

A Importância dos Sonhos


''O homem utiliza linguagem escrita ou falada para expressar o que deseja comunicar. Sua linguagem é cheia de símbolos, mas ele também, muitas vezes faz uso de sinais ou imagens não estritamente descritivos. [...]
 O que chamamos símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida cotidiana, embora possua conotações especiais além do seu significado evidente e convencional. Implica alguma coisa vaga, desconhecida ou oculta para nós. Muitos monumentos cretenses, por exemplo, trazem o desenho de um duplo enxó. Conhecemos o objeto, mas ignoramos suas implicações simbólicas. Tomemos como outro exemplo o caso de um indiano que, após uma visita à Inglaterra, contou aos seus amigos que os britânicos adoravam animais, isso porque vira inúmeros leões, águias e bois nas velhas igrejas. Não sabia (tal como muitos cristãos) que estes animais são símbolos dos evangelistas, símbolos provenientes de uma visão de Ezequiel que por sua vez, é análogo a Horus, o deus egípcio do Sol e seus quatro filhos. Existem, além disso, objetos como a roda e a cruz, conhecidos no mundo inteiro, mas que possuem, sob certas condições, um significado simbólico. O que simbolizam exatamente ainda é motivo de controversas suposições. [...]

Assim, uma palavra ou imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem tem um aspecto "inconsciente" mais amplo, que nunca é precisamente definido, ou inteiramente explicado. E nem podemos ter esperanças de tentar de defini-lo ou explicá-lo. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida a idéias que estão fora do alcance de nossa visão. 
A imagem de uma roda pode nos levar a ideia de um sol "divino". Quando, com toda a nossa limitação intelectual, chamamos alguma coisa de "divina", estamos dando-lhe apenas um nome, que poderá estar baseado em uma crença, mas nunca em uma evidência concreta.  [...]

Há motivos históricos para esta resistência à ideia de que existe uma parte desconhecida na psique humana. A consciência é uma muito recente da natureza e ainda está num estágio ¨experimental¨. frágil, sujeita a ameaças de perigos específicos e facilmente danificável. Como os antropólogos já observaram, um dos acidentes mentais mais comuns entre os povos primitivos, é o que eles chamam de ¨a perda da alma¨ - que significa, como bem indica o nome, uma ruptura (ou, mais tecnicamente, uma dissociação) da consciência.

Entre esses povos, para quem a consciência tem um nível de desenvolvimento diverso do nosso, a ''alma'' (ou psique) não é compreendida como uma unidade. Muitos deles supõem que o homem tenha um "alma do mato" (bush soul) além da sua própria, alma que se encarna num animal selvagem ou uma árvore com os quais o indivíduo possua alguma identidade psíquica. É a isso que o ilustre etnólogo francês, Lucien Lévy-Bruhl denominou de ¨participação mística¨. Mais tarde, sob pressão de críticas desfavoráveis, renegou esta expressão mas julgou que seus adversários é que estavam errados. É um fenômeno psicológico bem conhecido aquele de um indivíduo identificar-se, inconscientemente, com alguma outra pessoa ou objeto.  

Essa identidade entre os povos primitivos toma várias formas. Se a alma do mato é a de um animal, o animal passa a ser considerado uma espécie de irmão do homem. Supõe-se, por exemplo, que um homem que tenha como irmão um crocodilo possa nadar a salvo num rio cheio destes animais. Se a alma do mato for uma árvore, presume-se que a árvore tenha uma espécie de autoridade paterna sobre aquele determinado indivíduo. Em ambos os casos, qualquer mal causado à alma do mato é considerado uma ofensa ao homem. 

Certas tribos acreditam que o homem tem várias almas. Esta crença traduz o sentimento de alguns povos primitivos de que cada ser humano é constituído de várias unidades interligadas apesar de distintas. Isso significa que a psique do indivíduo está longe de ser seguramente unificada. Ao contrário, ameaça fragmentar-se muito facilmente sob o assalto de emoções incontidas. 
Mandala pintada por Jung,; Livro Vermelho



                                                                 O Homem e seus Símbolos; Carl G. Jung, 2 ed especial brasileira, - Rio de Janeiro, 2008. p. 18 -19, 23-24-25-23-24


(À isso, seria chamada cisão do ego, ou uma fragmentação que dá origem às neuroses, de muitos tipos e nomenclaturas. A primeira parte do livro, é escrita por Jung, e evidencia, quão ampla e insondável é, nossa vida guiada por decisões e direcionamentos do Inconsciente. E outra através da linguagem e principalmente depois da escrita como apreendemos o mundo por símbolos