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dezembro 26, 2013

Eu Tu Ela, Nós Vós Elas


¨Me perguntas por qué compro arroz y flores?
Compro arroz para vivir, y flores para tener algo por lo que vivir¨

https://www.youtube.com/watch?v=UvX2hz-CRDg

dezembro 15, 2013

Nature Boy

Um menino muito estranho e encantado
Dizem que ele vagava muito longe, muito longe
Sobre terra e no mar
Um pouco tímido e triste para os olhos
Mas muito sábio ele era

E então um dia
Num dia mágico, ele passou no meu caminho
E enquanto nós falamos de muitas coisas
Bobos e reis
Isso ele me disse:
"A melhor coisa que você aprenderá
 É amar e ser amado de volta "

De todas as versões dessa canção, a mais bonita ainda é de Vinícius e Toquinho.. 

dezembro 11, 2013

Mantra


¨Tão bom morrer de amor, e continuar vivendo...¨

sacia, não satisfaz

Nunca a tirania da emoção, mas tempo pra digerir,
                                                                   A necessidade urge.
Frágil é aquilo que não posso agarrar.
...e ultimamente não consigo me saciar.
Tenho fomes que me devoram.



O livro das ignorãças, o livro das sabedorias

Egon Schiele
Entra em chamejamento de luxúria em mim:
Ela há de se deitar sobre meu corpo em toda a espessura de sua boca!
Agora estou varado de entremências.
(Sou pevertido pelas castidades? Santificado pelas imundícias?)

Há certas frases que se iluminam pelo opaco.

deleito me por ele...
'Manô'  - O livro das ignorãças. 


dezembro 09, 2013

Além do Heroísmo: a Dança

¨O último arquétipo descrito neste livro é o Bobo, o qual está incluído entre os arquétipos de retorno, porque governa a expressão dos nosso Selves no mundo.
Todavia, o Bobo nunca se encaixa perfeitamente em nenhuma classificação. Nós encontramos o Bobo no início e no final de nossas jornadas; durante a jornada, porém, nós apenas vislumbramos o Bobo na orla - geralmente não permitimos uma forte influência sua na consciência. O Governante simboliza a conquista  da consciência e do verdadeiro Self; o Bobo, entretanto, nos ajuda a transcender a nós mesmos, ao heroísmo, à individuação, e à consciência, atingindo o êxtase. 
Em seus níveis mais básicos, o Bobo está sintonizado com a parte mais primitiva da psique. Ele está relacionado com o mais profundo repositório de nossos impulsos e anseios instintivos, desejos que talvez não estejamos dispostos a reconhecer diante de nós mesmos e dos outros. Em termos freudianos, ele está estreitamente relacionado com o Id e com os impulsos e instintos básicos da espécie. 
Mesmo em culturas  muitas vezes consideradas relativamente primitivas, a figura do trapaceiro, que ilustra essa maneira de agir, geralmente já está fora da lista dos papéis socialmente aceitáveis. Entretanto, como temos visto, reconhece-se que elas contribuem para nosso prazer de viver.

"Não temos teologia. Nós dançamos. " (Monge japonês falando a Joseph Campbell.)

Podemos aprender coisas a respeito do crescimento e do desenvolvimento do Trapaceiro de nós mesmos, observando os mitos e lendas. Jung considerava que o Trapaceiro aparecia em "conversas picarescas, folias e festejos, em rituais mágicos e sagrados, nos temores e na exaltação religiosa dos homens", e na
"mitologia de todas as épocas". Deste ponto de vista, o Trapaceiro presente nesses mitos é "uma estrutura psíquica arquetípica extremamente antiga que, nas suas manifestações mais claras, é uma cópia fiel de uma consciência humana absolutamente indiferenciada, correspondendo à psique que mal ultrapassou o nível animal.¹¨
²Em The Trickster, Radin resume desta forma as principais características do mito: "A esmagadora maioria dos assim chamados mitos do trapaceiro na América do Norte, falam sobre a criação da Terra, ou pelo menos, sobre a transformação do mundo, e tem um herói que está sempre andando ao léu, sempre com fome, que não se orienta pelos conceitos normais de bem ou mal, que vive pregando peças nas pessoas, ou sendo vítima dessas peças, e é dotado de grande apetite sexual. Em quase todos os lugares ele tem algumas características divinas". 


                                                                       ¹Pearson, Carol S. O despertar do Herói Interior. Ed Pensamento, 1991, São Paulo.
²On the Psychology of the Trickster Figure", de C. G. Jung em The Trickter: A Study in American Indian Mythology, de Paul Radin (Nova York: Shocken,1987),200.

 E se essa é minha jornada, ou seja, minha própria vida, e em certo nível  sou eu quem a governa  e conduz: porque não fazê-la gingando
Meu Bobo, me desafia a fazê-lo com sabedoria espirituosa.

A Psicologia e as Mudanças internas

...nesta seara, o movimento de avaliação e mudanças constantes, a passagem da pessoa pela análise é (sem poetizar), o confronto e a catarse da autodescoberta.  Existe o fluxo contrário à estas mudanças, tanto do próprio sujeito (resistência interna), como da rede de vínculos: e amigos, familiares, conjugue, pessoa próximas (resistência externa) em manter como está.
Trocando em miúdos; se o sujeito costuma agir prejudicialmente consigo (exemplos) beber todo fim de semana pra esquecer tal fato (relação de trabalho causadora da neurose, ou ambiente familiar disfuncional, etc). A terapia o faz voltar no tempo, para onde que isto se originou.
Ou se o casamento faliu há muito tempo, e por alguma(s) razão(ões), se mantêm vínculos desgastados; o psicólogo faz as intervenções de modo à ele (ela), se questionar dos porquês, que se chegou a isso, como se desenvolveu o adoecimento da relação, sendo trazido à tona nas sessões.
Importante: o psicólogo jamais faz considerações acerca de predeterminar ações, ou direcionar posições e condutas do paciente, ou ainda, fazer julgamentos ou juízo de valores, de escolhas. A posição do psicólogo é pautada na ética, mas isso não significa suavizar a gravidade da situação, ou evitar as expressões de choro, raiva, confusão, etc, que se seguem à devolução dos discursos na análise. O de fazê-lo chegar por si mesmo a este confronto pessoal, por suas próprias palavras, visualizar seu passado e presente como ação de suas escolhas, antever este confronto e estar pronto ao acolhimento, e novas diretivas de comportamento.

Possivelmente, os amigos com quem o sujeito se relaciona nos fins de semana para beber,e seus vínculos próximos, não entenderão as mudanças e os comportamentos que vem da psicoterapia, e muito provavelmente, vão fazer o sujeito retornar aos comportamentos autodestrutivos anteriores, e velhos hábitos, e também  refutar os novos questionamentos.

Parênteses aqui: Todas as mudanças no sujeito, vem acompanhadas de diferentes tipos de questionamentos, as autoavaliações do indivíduo, que ele se faz para adequar as mudanças às vezes benéficas, em outras de negação, - ora de si, como agia/age –ora de resistência à psicoterapia.  Todos estes questionamentos e novas demandas são saudáveis, no sentido de trazer o conteúdo à luz da consciência, comportamentos viciados, engessados, atitudes habituadas pelo padrão das contingências do passado.
Então o psicólogo, deve se preparar para acolher as novas posturas de enfrentamento, negação ou resistência, e se preciso for, modificar a conduta em sessão, ou a direção do processo terapêutico. Fazer as adaptações necessárias.  

Tanto os amigos do sujeito, como o marido que é questionado pela esposa em terapia, podem sentir-se preteridos nestas mudanças, (a esposa pode chegar à conclusão por si, de que separação seria a sua maneira de desvencilhar-se do marido e casamento, por exemplo), a uma modificação pessoal a que não estão esperando, e irão refrear e trazer ao status quo.
Essa situação é delicada, visto que são seus laços afetivos, mas o tratamento terapêutico diz respeito ao psicólogo e ao sujeito em análise. Portanto, haverão mudanças desde as mais sutis até as visíveis a todos.
O que é importante ressaltar aqui, é o caráter ético das relações, tanto do psicólogo-sujeito, como sujeito e suas relações em rede, no bem estar psíquico em visão macro e a longo prazo. Considerando a delicadeza e complexidade dessas relações, mas sem perder o foco de algumas (ou várias), modificações de comportamento e isso se expande em diversas camadas com outras pessoas.
Relações são modificadas porque o próprio sujeito se permite modificar a si, juntamente com as palavras em discurso.

Obs:As palavras em discurso terapêutico, já são consideradas ações para o terapeuta, quando ouvidas e proferidas pelo sujeito, e espelhadas pelo psicólogo. Palavra é internalização e ação, em ato contínuo.

Obs2. A escuta sensível. Ouvir e desenvolver o discurso com sua intervenção de modo a ressaltar a posição do outro em relação a si mesmo, e seu autoquestionamento.  
Ouvir, não apenas o que ele diz, mas principalmente àquilo que ele cala. Que não dirá com palavras. Exercitar a atenção e escuta silenciosa.

(...cont.)

Partes de anotações feitas em 2013, de abril a setembro referentes à pesquisa de intervenção sensível.

A Civilização Invencível do Submundo

Este não é um assunto menor. Muito menos ignorável, pois elas estão em toda parte feito vírus.
Onde você menos esperar, lá está a praga; rastejante, escondida, pronta pro ataque.
Ela tem o sistema mais evoluído da cadeia alimentar, atingiu o ápice da escala darwiniana. E creio, quase cerveja pitagórica, que suas antenas são um canal de comunicação alienígena, conectado a outros planos e dimensões invisíveis, que nem sonhariam os reles humanos, pobres diabos.

A capacidade de adaptação ao ambiente mais hostil, é digno de estudos mais profundos pela academia, e acima disso, a tenacidade de sobrevivência, aliada à ferocidade bestial: quase imortalidade cyborg.
Sim, ela é ferocíssima; e ilustrando com exemplos, tente correr dela e observe o resultado.
A lei da física aplicada às baratas: você corre, ou seja, se desloca deixando atrás de si, um vão de ar, um vácuo atmosférico, que dentro da lei da física de Yerik Koprofiev, resulta na excitação e dispersão de nêutrons, elétrons, prótons e fótons, criando um campo magnético favorável e diretivo nesta espécie, que se orienta pela vibração dos objetos e seres, da transmissão dessas ondas táteis, e por fim, a localização e mapeamento do espaço físico. Um sistema complexo em que mesmo decapitadas elas conseguem se evadir com agilidade de sempre. E cada barata fêmea é capaz de superpovoar seu apartamento com ninhos de ovos num único mês, a malignidade mutante é infinita. 

Uma mostra da habilidade adaptativa a qualquer ambiente, é na chamada barata-de-pau (Sarcophaga putrifactus asquerus). Esta subespécie apresenta esse nome popular porque tem uma carapaça dura como pau, e um tamanho extra-large size, unida à cor marrom pálida.  Quase impossível é exterminá-la. 
Experimente arremessar algo pesado como um tijolo, ou ainda uma bigorna, e estes se quebrarão em pedaços, enquanto a dita cuja foge incólume e impune! 

Ore pra todos os seus deuses, jogue macumba, ou pule de um pé só sobre pregos na chuva, o escambau a quatro, e nada adiantará. Ainda não inventaram armas nucleares de extermínio, potentes e devastadoras em escala Richter o suficiente para esmigalhar, dizimar, em partículas de  pó cósmico esse inimigo. 

Talvez a providência divina tenha outros planos para nós através delas. Deixando a ciência e o cientificismo de lado, e indo por planos mais holísticos, ela existe, (e vive) para nos lembrar do submundo. 
Da participação intensamente ativa da proliferação do lixo, da escória, dos dejetos inúteis. 
Nos lembrar de que facilitamos seu habitat imundo e fétido, e que somos tão desprezíveis quanto elas, a quem desprezamos e depositamos a culpa, da inflação nacional, do PIB baiano, da derrota do vicetória, da queda do preço nas bolsas Nasdaq, Bovespa, Daslu, e LOUIS VUITTON da madame ali, das aftas às hemorróidas da vida. 
Tudo é culpa delas, pois não admitimos o fato amargo e indubitável: somos nós as baratas.  

Epílogo curto, porém esclarecido, e que outros tiveram ainda menos.

dezembro 03, 2013

Cozinha-de-Amor

Uma das coisas desse mundo mais simplezinhas, e que me fazem mais feliz, é ir pra cozinha inventar arte.
Como gosto de inventar palavras e brincar com os tempos verbais, as nomenclaturas e os neologismos, assim também é com a cozinha, seus cheiros, texturas, e a mágica de combinar ingredientes.
E isso é realmente uma mágica, estou falando aqui a sério, não é só  jogar na panela, mexer e despejar no prato. Isso não é cozinhar, é qualquer coisa, menos cozinhar! Combinar ingredientes diversos e pôr medida, dosagem, equilíbrio e intenção em cada um deles, é um prazer de desde antes de começar a falar. Talvez de moleque tenha gostado mais de cozinha, antes das letras, e antes das idéias, gostava da fervura, dos cheiros, o fumegar da criação de uma comida, que eu adivinhava... Cominho casa com pimenta? Casa sim! E qual... a de cheiro, a malagueta, a dedo-de-moça? Meus doces-azedinhos, as vezes ponho canela e cravo, mas se não tiver gergelim, não fui eu que fiz! O gergelim, a castanha em grãos, a linhaça, aveia, semente de girassol, e quase todos os grãos são amigos dessa cozinha e muito bem vindos,  pra quem acha enfeite de prato se surpreenderá como num grão há tanto sabor. Tem outros ingredientes que são ariscados de fazer, quase sempre eu erro algo e fica doce demais ou com um ardor, um amargor fatal... Assim é com o cardamono, com anis-estrelado, a baunilha, dill, manjerona, mostarda, noz moscada, páprica, o alecrim fresco, o curry, e outros que eu arisco cada vez com mais parcimônia que antes. Pra além dos quatro sabores conhecidos, há sutilezas de outras descobertas, como o picante, adstringente, agridoce, ácido...

Assim como eu gosto de fazer, eu gosto muito de ensinar, e mais ainda de ver comendo e gostando! E tenho um livrinho de receitas também, que nem vó...
É pra não ter que ficar anotando em qualquer canto, ou ir buscar na internet também não serve, porque eu sempre modifico alguma coisa. E às vezes eu modifico tanto, que a receita nem é a mais a mesma, rs. Aí tem que inventar também o nome da comida, com o que ela se parece...O nome que terá. E é tão bom fazer, e depois oferecer e ver a reação no olhar do outro...(Claro que se ficar muito estranho, exótico de sabor, eu faço o teste com os mais próximos...hehe, aprovado aí, eu passo pra categoria: receitas-que-deram-certo-e-podem-comer-geral).
Numa época essas experiências e encontros tinham um nome, Confraria dos Prazeres,  mas como um amigo se muda, outro se separa e vai dar uma afastada, outros o tempo se encarrega de distanciar, aí a confraria ficou reduzida a quem marca que vem, e traz os ingredientes, ou a bebida, etc, menos que antes, ainda tão bom quanto, só menorzinho. O prazer sempre vai haver, onde houver dedicação de cozer mágico, essa alquimia deliciosa onde os sentidos se encontram..

E sim, voinha é lembrada, uma bela maneira de trazer suas memórias junto com as minhas.

A Lei do Menos é Mais

Mais valia é:

menos bagagem, mais conteúdo,
menos agonia, mais delicadeza
menos hierarquia, mais equivalência
menos susto, mais surpresa!
menos saudade, mais e mais dengos presentes
menos lágrima de dor, mais choro de rir
menos vulgaridade, mais anarquia poética...
...e por aí vai, que há começos plurais, mas não finais, que se reinventam.

Marx adaptado pra meu clown.


novembro 29, 2013

Instantes

O maravilhamento de se chegar a esse sentir, é imediatamente substituído pelo medo de perdê-lo,
de deixar isso passar sem o aproveitamento...
Mal eu consigo assimilar a força e profundidade desse sentimento, e ele parece me escapar.
 Como num flash de luz, eu tenho a permissão breve de entender esse todo,
e em seguida, eu sei que ele fugirá de meu campo de compreensão.
Eu tenho que aceitar a contragosto, a passagem do tempo, que me ultrapassa veloz...
Somos instantes.

novembro 28, 2013

MST - Recanto da Paz

Trabalho e vivência dentro do assentamento Recanto da Paz,(na época ainda como acampamento) no Recôncavo baiano, em que o foco de trabalho é dentro da Agroecologia, e reúne estudantes e profissionais de Geografia, História, Psicologia, Engenharia Ambiental e Sanitária, Direito Social, Ciências Sociais, Jornalismo, e outros.
MST trabalha em parceria com o NEPPA (Núcleo de Estudos e Práticas em Políticas Agrárias) e tem as atividades de Educação Popular, Promoção à Saúde, Produção Agroecológica, Rádio comunitária, Formação da Juventude espelhadas na organização do próprio Movimento.
Agroecologia, e Economia de Subsistência, e ainda a Agricultura Familiar, são respostas às práticas do Agronegócio capitalista, e se baseiam em práticas de trabalho coletivo, igualdade de gêneros e distribuição de tarefas, de união e partilha de sua economia, plantio e trabalho com a terra, desenvolvimento de sistemas políticos e rurais. Dentro de cada comunidade, com acompanhamento de base periódica e permanente, escola e educação popular dentro da própria estrutura do MST, e etc.
Essas são fotos que tirei enquanto participante do grupo e integrante das atividades, oficinas e reuniões no Recanto da Paz - MST .