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maio 28, 2013

Hotxuá - A tribo KRAHÔ



¨A tribo indígena krahô que tem entre suas tarefas cotidianas, a caça, o plantio e o riso. Este povo considera a alegria um elemento-base de sua sociedade e designa entre seus líderes um sacerdote do riso: o hotxuá. Assim como a figura clássica do palhaço, eles têm a função do avesso. Brincando e animando o espírito da aldeia, os hotxuá dissipam disputas, lembram o desapego à ganância, falam o que os outros calam, ensinam o certo ao agir de forma errada e desmistificam o erro. Para cumprir essa tarefa, usam a força do sorriso e da doçura. Fortalecem a auto-estima e unem o grupo através da alegria, do abraço e da conversa garantindo a sobrevivência de sua cultura milenar. São profundamente respeitados por seu povo ao ajudar a manter a estrutura dessa sociedade feliz que valoriza e compreende a importância do equilíbrio entre os opostos.

Fiéis ao que crêem, os krahôs reforçam constantemente a sabedoria de seu povo. Tem dois caciques, cada um representando um partido. Duas vezes por dia, promovem uma corrida de toras entre os partidos para garantir o equilíbrio do ambiente. É importante que nenhum deles ganhe sempre e que a competição seja motivo de fortalecimento e união para todos. Como cada planta possui uma qualidade especial exaltam o espírito de cada uma delas. À batata associam a fertilidade e a mudança das estações. Aos hotxuá consideram nascidos das abóboras e delas eles repetem o gestual. A flor da abóbora ondulando ao vento, a ramagem que se espalha pela terra, o fruto que cresce e se expande. E, assim como as plantas na roça ensinaram um krahô, o hotxuá diverte a tribo e todos festejam a alegria de viver.

Três crenças são primordiais na cultura krahô: a harmonia da Natureza, a força das plantas e a celebração à vida. Consideram que Natureza se divide entre o partido do sol (wakmiyé) e o partido do úmido (katamiyé) e as duas forças são complementares. Acreditam que as plantas foram presente de Caxekwyj, uma estrela que veio do céu e trouxe as sementes. Depois a estrela se transformou em moça e ensinou o povo a plantar e comer os frutos da terra. Um dia, um índio chegou à roça e as plantas estavam dançando e elas o ensinaram a festejar¨.


Música com Leticia Sabatella em  Krahö:


Leia mais sobre a tribo Krahô.

Vadiando liberdade

Vadia eu,
Vadio tu
Vadeia ele;
Vadiamos  nós
Vadiam vós! 
Vadeiam eles
Vadios e vadias em verbo e conjugação, o livre vadiar de ser.



Homo Politikus Sapiens.

Agir politicamente deveria ser uma das esferas da vida, assim como o emocional, espiritual, racional, psíquico, etc. Quanto mais houverem descobertas sobre o “plano” existencial do que fazemos. O ser humano é múltiplo em todas suas dimensões, não há porque se dedicar apenas a uma, se limitar em uma,  esquecer e minimizar as outras potencialidades, todas as habilidades não exploradas, nem sequer descobertas. Em tudo o que fazemos, tem repercussão interna e externa, tudo vem e volta pra sociedade, e pra o individuo, o formador de sociedades. E tudo importa, Antropologia, Psicologia, História, Política, ciências tal e tais. Procurar o desconforto, caçar a inquietação, investigar as angústias, transformar em arte, em movimento, palavras, tato, em beleza: é terapêutico. A política não é restrita à movimentos políticos, apenas. Também é, e talvez, o conjunto de idéias pensantes, em engajamento e conflito saudável, gerador de sementes em planos de ação. Pessoas com idéias e ideais em comum, com ânsia de se organizarem, sim, mas não somente. Política faz parte do dia de qualquer um, do cotidiano; você sai de casa, e atravessa o transito caótico de sua cidade, vê infrações, vê gente nas ruas, expressões tensas, cabisbaixas, vê greve daquilo lá, um outro ajudando alguém, no centro da cidade mil outras pessoas na multidão tentando se expressar, vê manifestações do indivíduo no meio da multidão. A gente tem que ser militante de atividades do mundo, captador das antenas visíveis e invisíveis dos anseios, dos desejos, dos dizeres das pessoas.

Organizar-se em si mesmo e ser portador da expressão. Isso é ser um comunicador, político, psicólogo, alguém que se movimenta e absorve os quereres vadios, mundanos. Abarcar o conhecimento e transformar em algo. Se se compreender interesses públicos, civis, do cidadão “normal” e em seguida, simultaneamente o de seu sistema de governo, sua participação sobre outros é efetiva. Por exemplo, ler o jornal, e ver o que acontece além das linhas. Porque é além das linhas que está o pensamento econômico e político, de poder atuante. Observar o sintoma neurótico é, observar o sintoma total de uma família, que se organiza de tal maneira que um ou uns, são mal adaptados, por conta da educação, (ou falta desta), de valores, de formação e condução mal resolvidos, hierárquicos, socialmente incapacitantes, neurotizantes.

O ser humano é um ser antes de tudo desejante de algo, esse algo é constantemente substituído por outro algo, e desejamos coisas possíveis e impossíveis, mas não existe deixar de desejar. Na série “Two and a half men”, o personagem de Charlie Sheen quer achar uma solução para problemas de ereção. Uma psicóloga lhe dá duas opções. Fazer análise ou ser hipnotizado. Ele escolhe a segunda, e ela pergunta: “sua saúde mental não é mais importante que alguns orgasmos?”
Charlie responde “Não é mais importante nem mesmo do que um”. Se ele procurasse o francês Lacan ia ouvir sua famosa frase “você não é obrigado a gozar”. Mas e daí..? Não é obrigado, mas gozar é muito bom, e ficar impossibilitado de gozar é a maior violência pra ele, então discordo dos psicólogos que acham que o prazer é tirânico, juntamente com as teorias que ampliam ou reduzem o gozo a depender da conveniência. Devemos gozar totalmente, amplamente, infinitamente com toda a potencialidade do corpo, espírito, razão, emoção... Sem economia de um ou de outro, fisicamente e politicamente incluídos. A capacidade de gozar da (e com a) vida, é o objetivo e o próprio caminho a seguir, o fim e a circunstância que permite a.  
Se eu quero muito algo, seja alguém, seja mudar minha realidade, coisas que podem ser perigosas, coisas que seriam imorais, quero e não consigo, tento e sou frustrado, consciente ou não, ameaçado, o castigo social encurrala, oprime, desgasta as tentativas, e logo não irei mais tentar. Vou alucinar, vou delirar, posso entrar em pânico, deprimir, mas irei sonhar e desejar, o desejo ficará sublimado, ou latente. Mas não morto. O desejo não morre nunca, se transforma em outra coisa. Mais socialmente aceita. Um sistema político “cuida” de nos acariciar a cabeça, enquanto nos mostra outra coisa pra desejar, nos confunde para direcionar o desejo. Aprendemos a ser contornados, direcionados para que nosso desejo primitivo e original seja canalizado para atividades politicamente ajustadas ao sistema. Na verdade nos tornamos passivos. Corpos dóceis ou imbecilizados de tanta mansidão. Um sintoma neurótico particular é o mesmo do todo coletivo. Aprendemos a nós mesmos já fazermos o contorno e a tradução do querer, e amparados pela TV, compras, mídia, comida, sexo... Uma agência de controle social ajuda outra. Uma mão lava a outra, e todas se exoneram juntas. Todas se dão as mãos numa rede que conspira a passividade e o bem-estar social. Modificadores sociais tem espaços garantidos como facebook, um blog inócuo como este, uma galeria de arte, jornais esquerdistas(o que quer que isso signifique hoje), teatros, e por aí vai.
Que são espaços igualmente sociais, adequados e aceitáveis. Como o playground da subversão. Podem ser inconseqüentes aí, podem ser heróis e marginais, berrar, protestar, fazer músicas, quaisquer expressões, desde que não invadam o trânsito, a notícia não vá parar em jornais de grande circulação, a CPI ou o impeachment vire nada ou um cartum no máximo.
Os que conseguem ser vistos e ouvidos, os subversivos, iconoclastas, anarquistas que transbordam de gozo de mudanças, podem ser presos políticos, terapeutas marginais, artistas “de rua”, de palavra vagante, atores do absurdo possível, crível do real. Indutores de transformação, capacitadores de corpos rebeldes, e mentes idem. Vou pensando, sentindo e gozando com estes.



maio 27, 2013

Laerte/Coimbra/Moon-Bá: los cuatro fuedas!





; . . .


Clara, translúcida
 

disforme,
 

vagueia errante:
 

sou como as n u ven s.









Distraídos Venceremos

Por um lindésimo de segundo
tudo em mim
anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu
tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas

- Paulo Leminski, do livro "Distraídos Venceremos".


maio 24, 2013

I Turn to Water



                                                                        Som que abraça, flutua. Transforma-se dentro; vira vento... água.

maio 23, 2013

Sidarta Gautama, Espiritualidade, e a Autonomia de Ser

Herman Hesse escreveu sobre Sidarta, Jack Kerouac também, Mahatma Gandhi se inspirou nele para fazer a revolução indiana, que libertou o povo da colonização inglesa.
Mas ele não fez panelaço, nem barricadas, não jogou bombas de efeito moral, não fez guerrilha armada, mas fez revolução.
Até hoje, pra mim, se mantêm uma mítica de quem foi Sidarta, o homem, antes de ser Buda, o mito. E a “bondade” esse significado que o acompanha... De onde vem?
É alcançado com muitos anos de meditação até o nirvana..? Pode ser visto em algumas pessoas que fazem árduo trabalho social? Pessoas que abrem mão de tudo, de si mesmas, de posses, bens materiais, pra se dedicar a outro(s)? Será que nele mesmo, não havia a dúvida interior que o acompanhava sempre, a despeito de tantos caminhos a seguir... Para ensinar o dharma pelo país, e se dedicar à verdade, ele abandonou a família, o filho, e seguiu fazendo o que a consciência lhe pedia. Se um psicólogo fosse analisar do ponto de vista do sistema familiar e a desintegração desta, ele não teria tanto mérito, mas dizem que é preciso um grande coração pra se desapegar duma micro sociedade, a família, e se pensar na macro sociedade, o povo. Se alguém me perguntasse, não vejo como pode um precisar mais que de outro, e a anulação vinda de um, em sentido micro, anularia a maior, qual é a importância que é soberana? Uns sobre outros. Ou estou me apegando aos detalhes, e não enxergando o sentido amplo, que abrangeria a todos nós, se ele não tivesse caminhado só, em sua busca.

E como ele pôde conciliar a luz e a sombra interior, nossa capacidade de ser empático, de ter alteridade com os demais, ao mesmo tempo em que somos egoístas...?
Seria preciso evoluir por muito tempo ainda, utilizar o karma em diversas vidas, pra se traduzir numa vida espiritual virtuosa. E a virtude já é outra dúvida, e outras indagações, pra cada afirmação e resposta, tenho outras tantas perguntas que não cessam.

A vontade de potência, ou de poder, como fica essa necessidade individual e universal da constância do tempo, e que independe de tudo, ao mesmo tempo em que envolve tudo, em sua força e movimento incessante, a própria criação, destruição, renova-se, e repetição da vida, a realidade das coisas... Independe também de nosso fluxo particular, e mesmo espiritual, ou todos e tudo estariam imersos no mesmo fluxo de natureza desconhecida e voraz em que a espiritualidade também participa; o círculo que movimenta a nós todos e a toda natureza interior e exterior...


Aprender com as árvores

Mantenha-se firme e orgulhosa de suas raízes
Valorize sua beleza natural
Beba bastante água
Aproveite a sombra e os frutos
Fortaleza se constrói com anos, não com dias ou horas.

Foto: Marimbus

maio 21, 2013

Etimologia feminina do humor (ou minidicicionário da absurdez)


Pensando sobre ser o “meio estado” das coisas, percebi que eu me incluo nessa categoria doida que eu criei. Já que não sou uma vegetariana de verdade, (ainda como peixe e mariscos), logo não tenho um termo entre os que comem carne, e os que não comem, vegetarianos e veganos, os crudívoros, onívoros, macrobióticos... Não posso dizer que sou uma feminista como as que conheço, porque discordo bastante. Acho que podia me colocar como feminista-moderada-debochada... Afinal neologismos servem pra isso, além de acentuar o meio-estado de ser. 

Lésbica também não me representa bem, já tive todo tipo de relação com os gêneros, independente do que existe no meio das calças ou saias. Bissexualidade é restrita; intersexo é muito vago; transsexualidade definitivamente não é a minha. Pansexual, envolve minerais, plantas, vegetais e outros seres sencientes que não tenho tanto tesão.
Androginia me agrada, mas acho que não sou lá muito andrógina, não sei... 

Não há nomenclatura, poderia ser “existencialmentesexual”,  “niilisticamentelibidinosa”, ou antônimo de asceta: “hedonisticamente virtuosa", rs. Por aí vai,  pra quê rótulos mesmo? Pra fazer humor sacana!  Só assim.

                   "Os mitos não tem vida por si mesmos, aguardam que nós os encarnemos"  Albert Camus

Sobre a imposição às mulheres

Que nenhuma pessoa imponha como devo sentir, me comportar e ser.
Que recuse toda e qualquer submissão de caráter em direção ao proveito ou satisfação alheia.
Que recuse, reaja, rejeite e combata qualquer ameaça de moralidade, destinação de conduta real, espiritual, ou de qualquer ordem.
Que manifestações opressivas sobre a feminilidade, seus ciclos e a natureza feminina pra docilizar, obedecer, e amansar sejam destruídas.
Nenhum comportamento seja explícito, ou oculto, de se tentar domar uma natureza selvagem, lasciva, intuitiva, e exuberante, deve ser tolerado ou sequer considerado.

Tentativas de se tolher a natureza feminina selvagem foi há séculos, e ainda hoje violências, mas com a grande diferença atual da reação, natural à investida de domesticação e adequação às instituições do patriarcado, sejam leis instituídas, sejam de oralidade aceita e imposta. De amordaçar, de subjugar, minimizar, humilhar, desacreditar: serão rechaçadas.

Nenhum muro mais. Nenhum impedimento a ser o que se é. Nenhum controle que não seja superado por sua resistência e de contra-controle natural.

18 de Maio: Mov. Antimanicomial

O Coletivo Antimanicomial da Bahia organiza todo ano nesta data, a Parada do Orgulho Louco, com intenção de divulgar sobre a luta do movimento nacional contra internações compulsórias, e falta de autonomia para os usuários do sistema de saúde. Neste ano, poucas pessoas, poucos coletivos de instituições, cartazes e pouco movimento.
Com uma demissão massiva dos profissionais de saúde em CAPS e CRAS em todo o Estado, estes funcionando com apenas 7 ou 8 profissionais, não sei se há muito o que comemorar...





  




maio 20, 2013

Olhe pelo lado Monty Python da vida

 Se  há algum grupo de humor que gosto realmente, é este, última cena de "A Vida de Brian", (e os brasileiros amam copiar!)



maio 15, 2013

A dança anarquista dos corpos curadores.



Voltei a ler sobre Somaterapia, pelo menos um pouco. Lembrei que há tempos atrás, minha coordenadora de curso tinha me desestimulado veementemente pra abandonar essa idéia de estudo. Depois percebi que de forma geral, a Somaterapia é uma marginal das terapias, poucos se dispõem a estudá-la e menos ainda a praticá-la.
Entendo o porquê. Primeiro que a somaterapia esteve muito ligada ao movimento de contracultura da década de 60-70, e à sexualidade livre, logo, era taxada de putaria, sacanagem, sem muito explicar. A soma se misturou muito e perdeu bastante de credibilidade por não tratar com métodos “mais científicos”, por usar da ludicidade, vocalizações, teatralidade, dos exercícios corporais (assim como a bioenergética) só que com o viés anarquista de Wilhelm Reich. São grupos de breve período, sem um gestor específico, autogestão, exatamente como num movimento anárquico, ou com alternância de líderes. Trabalha com a neurose e a sexualidade não como inclusivos em uma sociedade já adoecida, mas em contramão à esta, questionando-a, pondo as pessoas pra pensarem politicamente em transformação de si pra o todo (por isso a SOMA, tudo e todos em conexão) . O uso do corpo causador de couraças, e dele mesmo pra si, pra autocurar-se, é até hoje vista com desconfiança, muito também por deslizes amadores, mas tem um poder imediato assim que se encontra num grupo capaz de querer ariscar esse modelo terapêutico. Pensei em como o contato improvisação, se aplica perfeitamente bem nesta modalidade. Muitos pontos em afinidade como a liberdade de improvisar, no que o outro está simultaneamente improvisando, é de autogestão, não há limite de tentativas, jogos corporais ou de participantes, e é aceito diferentes tipos de corpos, baixo, alto, gordo, com limitações, imperfeições, “deficiências”... diferente do ballet por exemplo.
É anárquico também no ambiente, lugares abertos, em contato com a natureza, e diversas superfícies, experimentações com arte, tintas, argila, etc. A libido como facilitadora em primeiro lugar e a partir dela, às transformações.


maio 14, 2013


Sentido que me dá, inexplicavelmente, saber-se antiga num instante;
como se já tivesse vivido essa vida, e outras.
Que pudesse talvez, expressar, contar... (como dizer?)
o mistério total que cabe dentro de nós.
Porque todas as manhãs quando se abre os olhos,
acontece esse milagre de vida.
O despertar é morrer e renascer. Todos os dias.
E todos os dias acontecem pequenos milagres.
O olho vê, o coração sente, a mente sabe, a alma...transvê.
¨É preciso transver o mundo!¨
E é preciso parar um momento e respirar profundo.
E Inspirar.
Encher-se e esvaziar-se: renovar-se.
É esse meu pedido vivo, de transformar a mim mesma.
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certeza de que não mais morrerei. Pois já morri de idades imensas, e matei em mim, aquilo que deveria morrer. E perder o medo. E ganhar em troca o sorriso, a doçura, a vida que brota, a imensidão oceânica de ser muitas...
 

About her

Algumas pessoas
mergulham em si
tão profundamente,
em sua loucura
de tão sentida, vívida
que tornam-se geniais.












(Rasgando o verbo, a voz, e a sanidade por ela).

maio 13, 2013

Janela da alma

"Por que foi que cegamos, não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão. Quer que te diga o que penso, diz. Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem".                                                              "Se podes ver, repara.”


Saramago só revela aquilo que já existe.
Seguimos às cegas.

maio 12, 2013

Don´t u know..?

I met a very pretty girl
she was sixteen
yeah she's something else

Well.. I was half drunk and lost everything in the game

I love to see you cheating
but just  in any case,
 I am going to the west
yeah I'm going ...
at the crossroads, an old one-legged
kept repeating over and over,

¨I am going to the west,
Yeah, west...¨

Solfejos

Um sim, é descuido do não.
Hey babe, Lou Reed, whispers in my my ear
Take a 'walk on the wild side'..
You know what I'm talking about. Yeah, yeap.
 Mr. Jagger saids, "it´s only rock'ing roll....... but i like it...!

And the cowgirls said: Thup, thurup, thurup, thuru, thup, thuruup ...
(snap fingers)

(But i like it..!) 

Voinhas

Vó Nair
Uma de minhas avós. Tinha três avós e três avôs. Avôs hoje nenhum vivo mais.E que todo mundo tinha três igual. Voinha Rita, também. Se eu olho pra esse rostinho, penso em tudo que ela já viveu, aos 99 anos.
E quanta ternura ela tem, porque se alguém for conversar com ela vai perceber no mesmo instante, esse carinho no olhar, uma paciêêênnciaaa no falar, um sorriso constante...
Tem os esquecimentos também, as vezes preocupam, as vezes, são uma explosão de gargalhadas coletiva.
Voinha Rita foi quem me criou, quem me ensinou a cozinhar.
Voinha rita
Quem me contava histórias antes de dormir, e esquecia como terminavam, eu dizia pra me contar outra vez, e outra vez, nunca me cansava das histórias. Ela inventava todo tipo de bolo de aniversário, Torre de pipoca pra meu irmão que faz em dezembro, ou casa de bonecas de chocolates, com piscina de gelatina, grama de confettis, glacê, pirulitos, jujubas, tinha tudo nestes bolos. (Voinha era uma aquariana!). As vezes ela me via na rede olhando o céu... E dizia, "essa lua é muito linda mesmo, parece que flutua acima de nós, muito poder ela tem...." (!!!) Ficava de cara, como ela sabia dessas coisas, e sentia. Criança eu ia na  igreja com ela, mas não gostava de padres, tinham expressão pesada, carrancuda, e o teto era de anjos, querubins, cupidos, então olhava pro teto, rs.
Nesta foto eu estava fazendo (e comendo), pãozinho delícia. Quem é da Bahia sabe...

Tenho que falar dela, minha mãe. (É difícil).
Eu tenho uma mãe que me ama, que foi cruel comigo, porque não sabia ser mãe. Eu tenho uma mãe que é tempestade e tormenta, exatamente como eu.. Ela se parece fisicamente comigo. Eu não tenho aqueles olhos verdes, de turbulência, mas o temperanto é igual. Eu tenho uma mãe que.
Não consigo amar sem culpa. Mesmo que eu abraçe e beije, não é e nem será como minha vó. Amor, amor, sem dor. Esse é outro tipo de amor. Aquele de que quem sabe que passou por uma vergonha compartilhada, por uma falta, um tropeço. Minha mãe não acredita nos mesmos deuses que eu. Ela acredita na medicina, ela acredita na matemática, o deus dela é o deus da lógica.  Um deus exato, um deus sensato.  E eu...acredito em tudo.  Acredito na minha verdade, nos deuses na minha natureza interna, naquela que vejo se transformar. Incompreensível. Eu tenho uma mãe que me perdoa. Eu, não.

Ternura, remorso, amor... Talvez não tenha sido justa, mas em se tratando de sentimentos, é uma tarefa quase impossível. Sincericídio.

ps. Não tenho foto aqui de minha vó Lourdes, e de minha mãe Ana, elas não gostam muito... Mas vou tentar alguma que elas queiram, pra completar minha homenagem. Carinho em todas elas.







maio 09, 2013

Idiliosonho.web





Neste lugar, tudo é possível.
Lugar do idílio, só a fantasia tem vez.
As palavras eram minhas,
mas no momento em que as disse
o infinito tomou posse
se apropriou,
e agora navegam por aí
com seus pés, guelras, 
seus rumos e próprios significados.

De lirio

Faz um tempo ela escreveu e mandou imprimir em adesivo
troca-se segredos aluga-se sonhos.
Não lembro bem se o sonho era alugado, mas sentia um gosto doce so de olhar a poesia.
aprendi a nao contar os santos. e os milagres vieram ter comigo.

lucidez

Ela acreditava em fadas,
montava em unicórnio
cantava com sereias,
e ondinas,
No escuro da noite
que é
onde se ouve e vê mais
uivo banshee
E porque acreditava,
eles existiam.

Metafísica poética


¨Hilda Hilst pensava poder captar as vozes dos mortos; James Joyce se convenceu de que sua filha era telepata; Clarice falava de Deus com tão estranha proximidade que foi convidada a um congresso internacional sobre bruxaria; Guimarães Rosa hesitou por anos em aceitar a cadeira na Academia, como se soubesse que morreria três dias depois da honraria. Nenhum desses episódios vale como prova de nada, a não ser, talvez, de uma correlação entre uma certa compreensão da linguagem poética e uma experiência de mundo que crê ter intimidade com a "metafísica"¨.