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maio 15, 2013

A dança anarquista dos corpos curadores.



Voltei a ler sobre Somaterapia, pelo menos um pouco. Lembrei que há tempos atrás, minha coordenadora de curso tinha me desestimulado veementemente pra abandonar essa idéia de estudo. Depois percebi que de forma geral, a Somaterapia é uma marginal das terapias, poucos se dispõem a estudá-la e menos ainda a praticá-la.
Entendo o porquê. Primeiro que a somaterapia esteve muito ligada ao movimento de contracultura da década de 60-70, e à sexualidade livre, logo, era taxada de putaria, sacanagem, sem muito explicar. A soma se misturou muito e perdeu bastante de credibilidade por não tratar com métodos “mais científicos”, por usar da ludicidade, vocalizações, teatralidade, dos exercícios corporais (assim como a bioenergética) só que com o viés anarquista de Wilhelm Reich. São grupos de breve período, sem um gestor específico, autogestão, exatamente como num movimento anárquico, ou com alternância de líderes. Trabalha com a neurose e a sexualidade não como inclusivos em uma sociedade já adoecida, mas em contramão à esta, questionando-a, pondo as pessoas pra pensarem politicamente em transformação de si pra o todo (por isso a SOMA, tudo e todos em conexão) . O uso do corpo causador de couraças, e dele mesmo pra si, pra autocurar-se, é até hoje vista com desconfiança, muito também por deslizes amadores, mas tem um poder imediato assim que se encontra num grupo capaz de querer ariscar esse modelo terapêutico. Pensei em como o contato improvisação, se aplica perfeitamente bem nesta modalidade. Muitos pontos em afinidade como a liberdade de improvisar, no que o outro está simultaneamente improvisando, é de autogestão, não há limite de tentativas, jogos corporais ou de participantes, e é aceito diferentes tipos de corpos, baixo, alto, gordo, com limitações, imperfeições, “deficiências”... diferente do ballet por exemplo.
É anárquico também no ambiente, lugares abertos, em contato com a natureza, e diversas superfícies, experimentações com arte, tintas, argila, etc. A libido como facilitadora em primeiro lugar e a partir dela, às transformações.


Um comentário:

  1. Talvez seja um tipo de vivencia/prática que possibilita, por conta de seu caráter libertário ou de improvisação um sentir/tomar de consciência de corpos como portadores de uma imensa plasticidade. Tanto num corpo enquanto libido. Como num corpo enquanto espirito. Além do mais é uma bela alusão para possíveis resignificaçoes de padroes pré-estabelecidos que ao longo da história foram tá mesquinhos, retalhadores de toda essa capacidade transformadora que o corpo humano traz em si...

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