Páginas

maio 06, 2013

Nostalgia.


A primeira lembrança de saudade que tive, foi quando deixei uma fazenda em uma ilha, não sei mais onde era, mas tinha uma sensação de falta, um querer não preenchido, uma ausência quase palpável. O entendimento de morte veio, quando percebi que os brinquedos, as crianças, os pais, os bichos, tudo existiria, mas sem mim.
E eu queria ainda participar! Chorei muito querendo uma explicação convincente. Eu dizia que não queria morrer, exatamente assim. Sobre o que era o orgasmo, minha mãe quase bateu o fusquinha no carro da frente, e quando conseguiu dizer o que era, depois de um silêncio enorme eu não entendi nada.
(No fim, adultos não ajudavam muito, sabiam e sabem pouco também).
Se pretendo sonhar, abro um livro, entro na cozinha, invento algo que não tinha experimentado, sento no teatro esperando pelo apagar das luzes, e o que virá. Vou tentando achar algo que me emocione tanto quanto às coisinhas miúdas, as delicadezas de antes. E preciso repassar tudo em retrospectiva, pra não deixar “criar pó”.

A nostalgia, dizem que é a sensação e sentimento idealizado, não pode ser comparada à saudade em si, porque essa tem algo de real, de um objeto, de alguém; mas a nostalgia é a fantasia romântica desse  alguém, desse algo, que não tem parâmetro nem na realidade, nem na saudade.


2 comentários:

  1. Me parece o cantinho que aflige a alma, como pássaro que quer voar do ninho e ainda duvida de sua habilidade... Como diz nossa amiga "por dentro sempre me persegui".

    ResponderExcluir
  2. Dêu pra sentir um apertosinho ,nostálgico, gostoso.Sinais de sentimentos, sinais de vida...( como uma dose de Saudades a la Lispector a cá reinventada)

    ResponderExcluir