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maio 12, 2013

Voinhas

Vó Nair
Uma de minhas avós. Tinha três avós e três avôs. Avôs hoje nenhum vivo mais.E que todo mundo tinha três igual. Voinha Rita, também. Se eu olho pra esse rostinho, penso em tudo que ela já viveu, aos 99 anos.
E quanta ternura ela tem, porque se alguém for conversar com ela vai perceber no mesmo instante, esse carinho no olhar, uma paciêêênnciaaa no falar, um sorriso constante...
Tem os esquecimentos também, as vezes preocupam, as vezes, são uma explosão de gargalhadas coletiva.
Voinha Rita foi quem me criou, quem me ensinou a cozinhar.
Voinha rita
Quem me contava histórias antes de dormir, e esquecia como terminavam, eu dizia pra me contar outra vez, e outra vez, nunca me cansava das histórias. Ela inventava todo tipo de bolo de aniversário, Torre de pipoca pra meu irmão que faz em dezembro, ou casa de bonecas de chocolates, com piscina de gelatina, grama de confettis, glacê, pirulitos, jujubas, tinha tudo nestes bolos. (Voinha era uma aquariana!). As vezes ela me via na rede olhando o céu... E dizia, "essa lua é muito linda mesmo, parece que flutua acima de nós, muito poder ela tem...." (!!!) Ficava de cara, como ela sabia dessas coisas, e sentia. Criança eu ia na  igreja com ela, mas não gostava de padres, tinham expressão pesada, carrancuda, e o teto era de anjos, querubins, cupidos, então olhava pro teto, rs.
Nesta foto eu estava fazendo (e comendo), pãozinho delícia. Quem é da Bahia sabe...

Tenho que falar dela, minha mãe. (É difícil).
Eu tenho uma mãe que me ama, que foi cruel comigo, porque não sabia ser mãe. Eu tenho uma mãe que é tempestade e tormenta, exatamente como eu.. Ela se parece fisicamente comigo. Eu não tenho aqueles olhos verdes, de turbulência, mas o temperanto é igual. Eu tenho uma mãe que.
Não consigo amar sem culpa. Mesmo que eu abraçe e beije, não é e nem será como minha vó. Amor, amor, sem dor. Esse é outro tipo de amor. Aquele de que quem sabe que passou por uma vergonha compartilhada, por uma falta, um tropeço. Minha mãe não acredita nos mesmos deuses que eu. Ela acredita na medicina, ela acredita na matemática, o deus dela é o deus da lógica.  Um deus exato, um deus sensato.  E eu...acredito em tudo.  Acredito na minha verdade, nos deuses na minha natureza interna, naquela que vejo se transformar. Incompreensível. Eu tenho uma mãe que me perdoa. Eu, não.

Ternura, remorso, amor... Talvez não tenha sido justa, mas em se tratando de sentimentos, é uma tarefa quase impossível. Sincericídio.

ps. Não tenho foto aqui de minha vó Lourdes, e de minha mãe Ana, elas não gostam muito... Mas vou tentar alguma que elas queiram, pra completar minha homenagem. Carinho em todas elas.







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