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junho 17, 2013

caminhos políticos dissonantes, encontros...

Pawel Kuczynski art
Gosto de estar entre as pessoas. Naquilo que acredito. Gosto de me misturar, de conversar com quem não conheço, de me organizar politicamente e sem partidos. Não sou filiada a nenhum. Meu partido é, sempre foi, e sempre será a esperança. Meu desejo não é o de falar mais alto. Não quero ser porta voz de nada também, ou ninguém. Não tenho o menor jeito pra politicagem. Mas política é ato de pensar e expressar desejos muitos de modificações, eu sei. Disso eu me meto – como posso - em participação, colaboração; é falando algo aqui, discutindo outra coisa lá, com alguém que está equivocado, ou que está com muita, muita raiva de tudo, e está descontando a ira quando todo mundo parece querer vomitar tudo de uma vez. Tenho visto distorções nesses encontros com as pessoas. Algumas acham que anarquia é desrespeitar, vandalizar, pregar liberdades sobre outras. No Ensaio sobre a Lucidez, Saramago firma uma nação sem líder político, sem governantes, a supremacia do pensamento liberal e independente. Idealismo, irrealidade, utopia..? Mas um excelente exercício do pensamento racional e desagregado. E não menos empoderamento pessoal, e coletivo. As classes mais exploradas nunca estão presentes nas manifestações, nas Diretas Já dos anos 80, no Impeachment Collor 94, e na Ditadura anos 60-70. É preciso mais educação pra que eles tenham consciência política. Leitura, consciência histórica... Quando uma lei não serve à população, e ao contrário só a desqualifica, diminui o seu poder, ela deve ser sistematicamente desobedecida. Seria ótimo que as pessoas tivessem essa energia pra fazer ajustes sociais durante todo o ano. Que pudessem ler, ler, LER! Sobre Gandhi, Levi-Strauss, a queda da Bastilha, sobre desobediência civil, Henry D.Thoreau, a história das revoluções...O que for. Como foi que deram certo naquele lugar e época? Sobre a mudança pessoal, as revoluções dentro de si.

Outro dia, conversando com uma amiga, eu insisti em conversar sobre política, o que na maioria das vezes, todo mundo torce a cara. “Porque é chato”. Falei de quanto os evangélicos tem conseguido fazer valer suas vontades políticas, seus projetos de lei, ameaçando áreas que não dominam, como a reorientação sexual pra heteronormatividade, ou pra dificultar antigas práticas do candomblé, e agora, com esse estatuto de aberrações contra a mulher. Seria muito bom que as pessoas que querem mudanças se interessassem por política. E outra, pra haver mudanças é preciso votar em pessoas que tenham o mesmo pensamento liberal que nós. É preciso pensar nos políticos, e nos votos. O voto é exercício de poder, pode não ser o melhor, nem o mais eficaz, mas é instrumento pra isso. Não é feriado pra sair, beber e curtir. Escolhas e reflexão de propostas., pensar em candidatos que tenham relevância de pensamento liberal. Pra descriminalizar a maconha, pra legalizar um casamento homoafetivo, adoções idem, descriminalizar o aborto... Não é isso que dizemos querer? Pra isso acontecer, teríamos que ter representantes liberais no congresso, no legislativo, e em força de números significativos. Senão, vai continuar sendo conversa de mesa de bar, de sindicatos feministas, associações de (não tão) minorias, redes sociais e blogs.

"Se tens um coração de ferro, bom proveito. o meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia".

Um comentário:

  1. A questão é que somos seres políticos naturalmente, até quando não desejamos ser. Optamos, escolhemos, falamos, bem ou mal, mas falamos. E em meio a isto fazemos links, associações, contatos... A gente faz de conta que não é um ser político porque não quer assumir responsabilidade com algo maior que nós mesmos. Só que já é tarde demais. Ao passo que o mundo anda, ou pensamos no coletivo, no impacto do todo, ou simplesmente sumimos do mapa. Literalmente!

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