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junho 03, 2013

Sem contornos

Eu quero tocar cada coisa, todas as coisas, com os
sentidos.
Primeiro eu toco com o olhar, toco com o cheiro, saboreio,
ouço o que cada coisa é.   
Quero tornar-me a coisa, o ser outro em mim.
Vou escutar os sons da terra, e depois misturar-me.
Provarei o 1º vôo da borboleta, irregular e impreciso como eu,
antes do pouso.
Levitar sob a água, beber a ligeireza dos peixes.
Depois misturar-me.
Vou estender meu rosto em brasa de luz, pro Sol me tocar, acarinhar, e ser ele também.

Serei a Chuva e o Sol. E o som das folhas quando caem.
E todos os perfumes sutis das reentrâncias, dos relevos, volumes e caminhos que se lêem nas árvores. Misturar-me.
Serei cada coisa em si, e todas elas, uma e muitas vezes, até misturar-me nelas.
Existirei em mim, pra em seguida existir no entorno:
Invertida, essas coisas também existem em mim.
Livre é quem tem os contornos diluídos.

2 comentários:

  1. Livre é quem respiredança, é quem coexiste. É impossível ser livre sozinho. Torno a dizer: radical livre é célula-tronco.

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  2. Para além das palavras, lá nas "entrelinhas"...

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