Páginas

julho 08, 2013

Baal, Rimbaud e meus 19*

Do espetáculo Baal, de Harildo Déda, que vi em 29 de março de 1999, quando fiz 19*. E fui ao teatro sozinha, ver e ouvir Rimbaud, The Doors e Brecht. Pra abrir portas de liberdade, política, anarquia. Era opressão pessoal, e dissolução de qualquer esperança na humanidade. E retirar de mim qualquer resquício de amor.
Uma balada de vida e morte, sexo, revolta e solidão. Um réquiem pra todos os desejos abjetos, que não tem lugar. O lugar do Dissoluto. Louco,  Livre.
Cada expressão de loucura é bem vinda. E a fúria com tintas vermelhas-sangue, jogadas, despejadas, espalhadas sobre o branco de uma paz inexistente.
Sobrepor e tornar a sombra em seu oposto; coroada. O embate de opostos até cair a exaustão das cores. E exaurir os desejos, até que não reste nada, em tudo que pode ser subjugado.  
Baal marcou tanto, que 14 anos depois, ainda tenho lembranças. As coisas mudaram. Ou mudei eu. Mas sei que algo daquilo tudo ficou.



***
Outrora se bem me lembro, minha vida 
era um festim - aberto a todos os
corações, regado por todos os vinhos.
Um dia, sentei a Beleza no meu colo.
-Achei-a amarga - E injuriei-a.
(...)
Cheguei a dissipar do meu espírito
 último traço de esperança humana.
Num salto de animal feroz,
pulei sobre cada alegria para estrangulá-la.
(...)
Fiz da desgraça um deus.
E me espojei na lama. 
E me estendi a secar na aura do crime. 
E andei pregando peças à loucura.
A primavera trouxe a mim o riso horrível do idiota.
Arthur Rimbaud
Une saison en Enfer

Nenhum comentário:

Postar um comentário