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julho 31, 2013

Gothic, lúgubre, nictofilo


Você já parou sozinho, no meio da noite, numa estrada desconhecida,  perguntou e te informaram assim... Fazendo um caminho que nunca ouviu falar, numa noite que nada fazia sentido, e só os sons, baixos, de longe, aqueles que você arrepia. Os grilos silenciam. As corujas fazem reverência. Os morcegos se aquietam. E você até ouve o estalar de um graveto. Logo ali. E paralisa, andando sozinho; nessa noite. Névoa prateada. Lúgubre. Dissonante, reverberante, que ecoa um arrepio, um calafrio... Desintegrada de medo e adoração.
Paralisa, e todos os órgãos em alerta. Você, sozinho, no escuro. Ouvindo. Buscar neste escuro o que é insondável, vertiginoso, desconhecido, este é o próprio Mistério. E o medo é prazer,  em desacordo causa um calor. Embala. Você está seduzido e vulnerável. Entregue. Você ama o desconhecido que encontra. Se aceita um mistério, que te engolfa, num breu cheio de sons.
Todas as vezes que ouço de longe, que pressinto esse curativo, atração irresistível no escuro mais escuro, mais cego, mais Burton. Mais quero. Mais desejo.
Ouvindo Charlotte Sometimes. Bela Lugosi. Undead.  Not dead. De Deus.
Seja a doçura das mãos de tesoura de Edward, seja os poemas de Edgar Allan Poe, que aparecem nos meus sonhos, e eu queria tanto que fossem mais... Seja a figura bizarra de Sandman, Peter Murphy. Tem um desejo meu, que sempre volta. Ansiedade apaziguada quando tenho medo, e desejo. Vejo mais, e melhor.




      

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