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setembro 25, 2013

Feito Estrelas

Era tão bom pensar como antes. Em que não seria preciso ciências, nenhuma forma de estabelecer a ordem. Que poética seria a forma de eternizar as estrelas em nós. Nem as borboletas que vivem uma semana, todo aquele esforço de sair do casulo. Viver brevemente, efêmera, como tudo. É preciso passar por toda uma existência pra entender.
O óbvio parece simples, mas não é. Engano, exige uma meditação profunda, extrema interiorização e o assombro da resposta, distancia ainda mais a compreensão. Absurda é a vida, e quem acha que porque dá significados à ela, pensando em torná-la palatável, pegando o atalho, facilitando os sentidos...
Entorpecimento da razão.
Minha vó faz cem anos. Um inseto chamado aleluia, vive 24horas. Um dia só, e ele grita aleluia. Tem bicho que precisa ter esse nome pra dizer que existiu, senão ninguém saberia. Bicho estranho. Enquanto minha vó, outro bicho estranho, não lembra quem eu sou, e nem quem ela é. E a gente vive assim mesmo, sem saber. Saber também não ajudaria a viver mais, ou melhor.

Nem as estrelas são infinitas. Nem nós.
Antes.

2 comentários:

  1. Como o contemplar em silêncio e aqui uma colheita de palavras que faz jus ao que ele representa...

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  2. Relatar fatos e contemplar estórias. isso sim faz historiar anos, tempos, espaços... De resto a gente se bate, prolongando tensões enquanto a vida está aí pedindo pra ser vivida e divertida. Uns sopram, outros mordem. Ao menos nós - penso em você e eu - não ficamos alheios ao sopro divino (divino mesmo?) que nos dá a oportunidade de mostrar a cara, hehe

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