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setembro 08, 2013

O Renascimento do Parto

Parir, prenhe, dar à luz... Nomes diversos para significados diversos também.
Um dos momentos mais bonitos na vida das mulheres, o parto está nas decisões dos médicos e anestesistas, quando na verdade deve estar principalmente na decisão da família. Um documento tocante da mercantilização das cesarianas no Brasil.

O trabalho da  médica obstetra deveria ser o de facilitar o nascimento, e não, o de agendamento, cronograma de partos para a semana. Da  lucratividade do hospital, que ganha com os diversos procedimentos médicos. É isso que o documentário insiste em denunciar: os partos deixaram de ser naturais para tornarem-se procedimentos médicos, desnecessários, invasivos, dolorosos... 

E que distanciam as mães dos bebês, que lhes retira a afetividade do momento. Se diz para a mãe, que ela não tem dilatação, que está muito gorda, ou muito magra, sedentária, que jovem demais, velha, ou.. qualquer coisa para que a mãe tenha medo e desista de fazer o parto normal. Muitos são os médicos que só o fazem se for cesário, e qual a mãe que no oitavo mês de gestação vai querer arriscar contrariar um médico? Aliás, é isso que fazem: dizer de todas as maneiras, que as mulheres não tem capacidade para dar à luz sem eles. Que são incompetentes pra parir. 
As cenas em que o bebê é pego como um objeto, afastado da mãe, colocado numa bandeja metálica, "higienizado", enrolado, etc. Só consigo pensar mesmo num esquema de linha de produção, operacionalização de montagem; corta, retira, costura, limpa, enrola, põe na bandeja... A brutalidade e indiferença da lógica de mercado.

 Não consegui enxergar ali o nascimento de um ser humano. A mãe, dopada pela anestesia, participar da geração da vida, de que ela é capaz. Uma etapa belíssima da vida de uma mulher e do casal, de ver isso acontecer com carinho, riqueza de sentimentos. Muito, muito importante o suporte emocional do trabalho das doulas no antes, durante e pós parto. Me lembrou o antigo trabalho das parteiras, que eram reconhecidas e as primeiras a, juntamente com a mãe, realizarem o nascimento, em suas residências.   Imagens de encher os olhos; calor, suporte, doação. 

Nós temos rituais de casamento de plástico, uma preparação de meses, em muitas vezes sem significado, esvaziadas de sentimento, falsos rituais. Uma ostentação, pra em seguida terminar com brevidade.
A passagem de uma fase para outra, de concluir uma etapa da vida, a celebração da própria vida, é substituída por uma sucessão de festas, de embotamentos afetivos a vazios de existência. Pra que seguimos com essa vida, sem repensar como vamos vivendo...?



Um comentário:

  1. Li uma vez no "Livro Celta da Vida Oculta" (Gaen'aley Mahoaj"), que o parto e o nascimento são renascimentos de nós mesmos no dialogo entre o que somos, queremos ser e o que fomos, como se durante este trajeto estivéssemos mais passiveis de nos compreender. Já os casamentos plastificados, apesar do livro não falar disso, hehehe, me parece uma indução moral (bem vergonhosa, por sinal) de estabelecer que conseguimos estar aparentemente bem com o outro sob a justificativa da união, quando estar com o outro deve libertar!

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