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outubro 14, 2013

O Teatro e Seu Duplo £

O teatro, como a peste, é uma crise que se resolve pela morte ou pela cura. E a peste é um mal superior porque é uma crise completa após a qual resta apenas a morte ou uma extrema purificação. Também o teatro é um mal porque é o equilíbrio supremo que não se adquire sem destruição. Ele convida o espírito a um delírio que exalta suas energias; e para terminar pode-se observar que, do ponto de vista humano, a ação do teatro, como a da peste, é benfazeja pois, levando os homens a se verem como são, faz cair a máscara, põe a descoberto a mentira, a tibieza, a baixeza, o engodo; sacode a inércia asfixiante da matéria que atinge até os dados mais claros dos sentidos; e, revelando para coletividades o poder obscuro delas, sua força oculta, convida-as a assumir diante do destino uma atitude heroica e superior que, sem isso, nunca assumiriam.
– ARTAUD, Antonin. O Teatro e a Peste. In: ______. O Teatro e seu Duplo. São Paulo: Martins Fontes, 2006.P. 28-29

Sarolta Bán

Um comentário:

  1. a inércia asfixiante da matéria...
    vc tem uma sintonia com o estilo de escrita dele. Vai fundo. Beijo

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