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novembro 06, 2013

Essência


Desejo um arco-íris de ideias.
A coisa mais bonita devia ser um quadro em branco:
Tudo o que pode vir a ser pintado.
Outra coisa mais linda : uma folha em branco.
Com todas as ideias novas ou renovadas que querem surgir.
O desejo íntimo de um objeto inanimado é tornar-se único, especial.
Ter valor sensível.
É pela unicidade do olhar da pessoa, que ele ganha vida. Existência. 
Um quadro existe. Um poema existe. 
Dentro daquele branco límpido; ele deseja borrar, insurgir, macular.
O branco aguarda a chegada das cores e das ideias no papel e no quadro.
O branco é um estágio intermediário, o antes 
da tempestade de cores que vão tomar forma.
De letras agrupadas em ideias que nos dizem o que antes só sentíamos.
O pulo antes do mergulho. 
Estágio levitativo do ar.
Agora tem forma, formato, intenção, finalidade, ambiguidades.
Essas nossas coisas infindáveis que não tem paz, mas o desejo.


Desenho: Bruno Aziz 

Um comentário:

  1. Dar forma ao que está novo, não pela forma que estagna, mas a que movimenta, circula e poetiza, a que liberta, como as ideias que surgem sem ressentimento porque são novas e se parem, como se fossem parideiras de novos e novos ares.

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