Páginas

dezembro 03, 2013

Cozinha-de-Amor

Uma das coisas desse mundo mais simplezinhas, e que me fazem mais feliz, é ir pra cozinha inventar arte.
Como gosto de inventar palavras e brincar com os tempos verbais, as nomenclaturas e os neologismos, assim também é com a cozinha, seus cheiros, texturas, e a mágica de combinar ingredientes.
E isso é realmente uma mágica, estou falando aqui a sério, não é só  jogar na panela, mexer e despejar no prato. Isso não é cozinhar, é qualquer coisa, menos cozinhar! Combinar ingredientes diversos e pôr medida, dosagem, equilíbrio e intenção em cada um deles, é um prazer de desde antes de começar a falar. Talvez de moleque tenha gostado mais de cozinha, antes das letras, e antes das idéias, gostava da fervura, dos cheiros, o fumegar da criação de uma comida, que eu adivinhava... Cominho casa com pimenta? Casa sim! E qual... a de cheiro, a malagueta, a dedo-de-moça? Meus doces-azedinhos, as vezes ponho canela e cravo, mas se não tiver gergelim, não fui eu que fiz! O gergelim, a castanha em grãos, a linhaça, aveia, semente de girassol, e quase todos os grãos são amigos dessa cozinha e muito bem vindos,  pra quem acha enfeite de prato se surpreenderá como num grão há tanto sabor. Tem outros ingredientes que são ariscados de fazer, quase sempre eu erro algo e fica doce demais ou com um ardor, um amargor fatal... Assim é com o cardamono, com anis-estrelado, a baunilha, dill, manjerona, mostarda, noz moscada, páprica, o alecrim fresco, o curry, e outros que eu arisco cada vez com mais parcimônia que antes. Pra além dos quatro sabores conhecidos, há sutilezas de outras descobertas, como o picante, adstringente, agridoce, ácido...

Assim como eu gosto de fazer, eu gosto muito de ensinar, e mais ainda de ver comendo e gostando! E tenho um livrinho de receitas também, que nem vó...
É pra não ter que ficar anotando em qualquer canto, ou ir buscar na internet também não serve, porque eu sempre modifico alguma coisa. E às vezes eu modifico tanto, que a receita nem é a mais a mesma, rs. Aí tem que inventar também o nome da comida, com o que ela se parece...O nome que terá. E é tão bom fazer, e depois oferecer e ver a reação no olhar do outro...(Claro que se ficar muito estranho, exótico de sabor, eu faço o teste com os mais próximos...hehe, aprovado aí, eu passo pra categoria: receitas-que-deram-certo-e-podem-comer-geral).
Numa época essas experiências e encontros tinham um nome, Confraria dos Prazeres,  mas como um amigo se muda, outro se separa e vai dar uma afastada, outros o tempo se encarrega de distanciar, aí a confraria ficou reduzida a quem marca que vem, e traz os ingredientes, ou a bebida, etc, menos que antes, ainda tão bom quanto, só menorzinho. O prazer sempre vai haver, onde houver dedicação de cozer mágico, essa alquimia deliciosa onde os sentidos se encontram..

E sim, voinha é lembrada, uma bela maneira de trazer suas memórias junto com as minhas.

2 comentários:

  1. A cozinha realmente é um espaço tentador, gostoso de receber amigxs, de trocar papos e receitas. No meu caso não tenho afinidade na arte de cozinhar, mas prosear, comer e beber sim, podem me chamar.
    Grasi

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Háaa, comer, beber e prosear, mas nada de cozinhar? rs!
      Okay, tá valendo se chegar junto pra tentar aprender...
      x) Bjinhos

      Excluir