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dezembro 24, 2014

Vidarte

A tragédia em cena já não me basta. Quero transportá-la para minha vida. Eu represento totalmente a  minha vida. Onde as pessoas procuram criar obras de arte, eu pretendo mostrar o meu espírito. Não concebo uma obra de arte dissociada da vida.

 Antonin Artaud, pra toda a Vida.

"Um nome para o que eu sou importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.
O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis.
Porque foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de 'a protetora dos animais'. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la.
[...]
No entanto, o que terminei sendo e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima. É pouco, muito pouco."
[...] "Nesse âmago tenho a estranha impressão de que não pertenço ao gênero humano"

Clarice, pra todas as vidas que houverem.


dezembro 11, 2014

A Palavra²...

²Pra quem se interessa por estudos da simbologia cristã em relação ao paganismo; o patriarcado versus matriarcado, Carlos A. B. Byinton escreveu um ótimo artigo a respeito.

Literatura Jung e Academia

Retorno depois de passar meses sem nem aparecer pra olhar aqui.  Me dediquei de corpo alma, e demais esferas da física e metafísica a fazer um estudo científico na interface Psicologia Analítica e Clarice Lispector.  Exigiu muito, em muitos momentos, me consumiu tempo, dinheiro, deixar de ver gente. Aconteceu o seguinte, gostei disso. E há outros sentimentos que vieram em consequência desse aprofundamento, vontade de me especializar nisso, vontade de compartilhar saberes apreendidos, vontade de ser mais organizada, disciplinada. O yoga e a meditação, neste processo é vital, pra não dizer imprescindível. Muitas pausas, momento do chá, da respiração, da meditação. Levo um tempo na organização de tópicos de interesse; a Individuação, o Anima e Animus, o caos orgânico da Sincronicidade, em tudo fazendo paralelo com a linguagem de Clarice. Acho esse terreno extremamente estimulante, sedutor. Estou agora no cuidado e energia, de manter os laços mais fortes dos mitos e lendas com a academia. Alguns torcem o nariz, outros não entendem nada do que estou a dizer, outras tem um brilho nos olhos, vislumbre de antevisão, como que sabem que há caminhos possíveis.

Para isso ainda tenho que ultrapassar preconceitos velhos e novos, os academicistas então... Dentro do reduto dos junguianos é mais calorosa essa acolhida. Tenho descoberto muitos outros autores seguidores de C. G. Jung, as fenomenologias do inconsciente, os processos estruturantes da psique, em combinação com processos naturais do paganismo.  Tenho me surpreendido comigo. Ao passo que sei que tenho que ter humildade  e caminhar devagar, ler com calma, debater as idéias comigo e outros, ter paciência quando não "assenta" (porque tenho o tempo da internalização - aliás todos nós temos), aceitar meus limites. A normatização, equilíbrio de palavras, explicação, ordenamento, tradução, síntese das linguagens... 
Os formatos de resultado do trabalho. As normas de adequação científicas - e as inúmeras metafísicas do conhecimento oculto: os arquétipos antigos, a simbologia cultural, a arte que expressa o sujeito, e o sujeito se desdobrando nas expressões da Arte - aproximar uns dos outros. Sim, é possível.
A Psicologia de Jung não é somente a psicologia analítica, e sim, a Psicologia dos Complexos, porque aborda complexidades em camadas mais profundas... O modo como Clarice Lispector e C. G. Jung se entrecruzam, foi atestado da similaridades sincrônicas. Um deu respaldo ao outro. 

É uma jornada maravilhosa a que me dispus. Tenho vontade de espalhar as coisas que descobri, compartilhar, não guardo nada pra mim, o Ar e Fogo estão de mãos dadas pra garantir foco, determinação nos objetivos, expansão do conhecimento. E Terra, a concretude, a realização. Há muitos passos a dar, já dei alguns dos quais estou feliz comigo mesma, outros, buscando as ferramentas necessárias, as pessoas dispostas, e sim claro, a ajuda que vem  de modo holístico das Deusas. Tenho feito continuamente esse contato a buscar também orientação além de agradecimentos.  

Minha frequência aqui é irregular, de modo que aos poucos, e com carinho venho desaguar essas descobertas...

Leituras de férias:
Marie-Louise Von Franz
Nise da Silveira
Michael Fordham
Carlos Byington
Clarissa Pinkola Estés
Erich Neumann
James Hillman
Clarice.
 Sem esquecer ...  'leia  todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana'.

novembro 28, 2014

A palavra...

Palavras. Tem cor cheiro tamanho significados volume altura aparência dispersão respiração explosão
belezas.
Palavras ditas voam dentro dos ouvidos. Reverberam noutras. Palavras tem paz?
(Amor elas contêm).


"Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. (...)
Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo.
Por puro carinho, mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória,
sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe."
Clarice Lispector. 

setembro 11, 2014

Aos encontros...

"De tudo ficaram três coisas
A certeza de que estamos começando
A certeza de que é preciso continuar
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar
Façamos da interrupção um caminho novo
Da queda, um passo de dança
Do medo, uma escada
Do sonho, uma ponte
Da procura, um encontro"
(Fernando Sabino)

agosto 24, 2014

Only Lovers Left Alive


Jim Jarmush dita Ying e Yang invertidos. Único filme de vampiros que me vale ver... 
Remete ao clássico The Hunger, de 1983... Reúne tudo que amo, a estética romântica,a literatura, músicas nos estilos de rock gótico, ou lânguidos. Sensorial e sensual.
E Tilda. E ela...

Sulis



agosto 19, 2014

The Dreamer

"Yes, I am the dreamer. For a dreamer, is one who can find his way by moonlight, 
and see the dawn before the rest of the world"
Henry David Thoreau.

Art by Ka Amorastreya 

Oculto não verbal

Eu, dentro do silêncio digo infinitas coisas. É que no espaço do silêncio, há sons que não se ouvem,
os ouvidos destreinados.
O treino é fino e sensível tear como os fios nas ondas. Antes de ver, se pressente o marulhoso mar.
Grande, denso, interminável. É tal como fechar os olhos e ver mais.
Há palavras que só podem caber nos silêncios.
Mais perfeito segredo é dito como os sussurros dos ventos.
Significantes e cheios silêncios, que enchem o ar ensurdecedoramente.
Meus silêncios são eloquentes.
Podem ser um não enfático e persistente.
Ou um sim cálido, macio.
Silêncios sentidos mais baixos de todos os sons audíveis:
digo em límpido e claro verbo -
Ouve me


agosto 15, 2014

These days

" The two most important days in your life are the day you are born and the day you find out Why".
~ Mark Twain

Art by Raymond Douillet

agosto 14, 2014

Pina - Wim Wenders




"Dance, dance... otherwise we are lost"
Pina Bausch

Gaza por Pawel Kuczynski

Razor II - Gaza

I didn't want to offend anybody.. so many angry comments from both sides of this conflict.
Some interpretatations, which i found here and which i accept:

"The chance for peace in Gaza is teetering on the edge of a knife, and the longer the chance is left in this precarious situation, the less of it that will be left in the end..."  from Jamie Janesin Jones

"Peace in Gaza sits along a razor's edge. Nothing can sit on the edge of a razor blade fr any great length of time..." from Alex Cullinan

agosto 07, 2014

Entardecer

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica..
Assim é e assim seja...
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)  


*Eu;uma praia, tal lugar, e x tempo em suspenso..


Ardor. Ardência.
ardência é a maneira do corpo e a psique dizer, urgência.
Pressa de quê?
Preso estamos, e sentenciados a esta vida uma e muitas vezes
Falta de adeuses.
Adeus á antiga eu. Oposição à deus.
quando digo ardência estou dizendo o meu nome.
E porque ele nunca se completa... ele singra.
Ardência na multidão.

agosto 01, 2014

O simples essencial

Nem crença, nem não-crença, é o que nós fazemos intencionalmente que importa. Ação ou pensamento em relação ao Outro, intencionalmente boa. Qualquer que seja o gênero, cor, orientação, partido,altura,...
O simples e delicado essencial, é tão fácil, ao passo que é tão difícil de se ver alcançado...

Domínio-liberdade

“Os animais do mundo existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens.”       Alice Walker 

O Especismo.




As pessoas vêem como aleatória a escolha de comer ou não carne. Mas é um escolha política. O Especismo significa que uma espécie é superior às outras, e por essa razão, está no direito de explorar e escravizar outras espécies, como os animais. É achar que o homem - humanidade- está no centro. A visão antropocentrista. Está na mesma categoria de dominação que o racismo, o machismo e a homofobia. Segue a mesma lógica de domínio e subjugo, das formas mais sutis às mais explícitas. Se há séculos atrás, homens e mulheres negros eram escravizados, e submetidos à tortura, apenas por serem negros, e portanto inferiores, os senhores de engenho tinham amparo da sociedade escravista porque a cor de pele negra era sinônimo de objeto, de coisa, não de ser humano. Depois de libertos, os escravos "livres" ainda não tinham seus direitos reconhecidos porque eram objeto, e coisa que não é humana, não tem sentido ter direitos. Se hoje em dia existem grupos e pessoas vinculadas à movimentos em defesa dos direitos dos negros, é porque o preconceito de inferiorização persiste por séculos. Da mesma forma, as mulheres eram propriedade primeiro do pai, e depois do marido. Ainda hoje mulheres são submetidas a todo tipo de abuso, tortura psicológica, e maus tratos somente porque não se sujeitam à prática do machismo. Quase todos conhecem ou leram histórias de mulheres no oriente médio, e em locais da África, onde há sociedades inteiras que concordam que bater, humilhar e matar é corretivo para comportamentos discordantes. Homens e mulheres homossexuais já foram considerados doentes mentais pelo poder outorgado pela clínica psiquiátrica. O DSM, livro que norteia a prática psiquiátrica tinha antigamente, entre suas desordens catalogadas, os transtornos da identidade sexual, como uma perversão do comportamento homossexual.  O Estado, e a clínica regularizavam a prática discriminatória que levavam muitos homens e mulheres a serem presos por condutas ¨impúdicas, obscenas¨. E muitos "tratados" como doentes por eletrochoque e medicalização pesada para curar sua falta de vergonha - o desvio. A psiquiatrização do divergente.  O Especismo, segue o mesmo raciocínio que põe animais, negros, mulheres e gays/lésbicas como desviantes, marginais, perigosos, doentes, inferiores... e causadores de malefícios à sociedade padrão. E usofruto da mesma sociedade.

Quando alguém pergunta porque não comer carne, está embutido nesse ato uma escolha política. E pessoal, não impositiva. Talvez não seja muito, é uma das maneiras de se dizer não ao Especismo. E dizendo isso, é possível que a situação mude. Mas acho que muda quando o olhar mudar de coisa, objeto, para ser vivo, que existe para si mesmo. . Com o tempo e a informação.


 As imagens acima, e outras 33 imagens de trabalhos publicitários de entidades que condenam práticas do Especismo.

julho 30, 2014

Saber das coisas.

O homem (a humanidade), tem consciência sobre as coisas. Do passado, do agora, e se predispõe a querer saber do futuro.Os animais são seres sencientes, ou seja, eles sabem do que os rodeiam, sentem, pressentem e respondem a isso de modo organizado, adaptativo e sofisticado. Não consigo conceber o domínio sobre outros seres, animais, conscientes ou sencientes em sua imensa variedade, como se lhes pertencessem. Como se fossem seus "donos". Sartre disse, em seu livro*, que a ação de uma pessoa carrega nela mesma o correspondente à humanidade inteira.
Entendo isso como a responsabilidade do futuro não está em deuses, mas em cada um.
E em meu ver, em naturezas, a do homem e a da sociedade, já que sociedade é construção de indivíduos.
O homem é produto do homem.

A espiritualidade é parte integrante do humano. Respeito todas as crenças e não-crenças, portanto não entendo quando dizem "existência não tem porquê". Sem fim, e sem sentido". Respeito, porém não quer dizer que não pense sobre - que é uma esquiva da responsabilidade. A responsabilidade de se saber, e sabendo, tomar para si.
Se sabemos, então preservar, entender os ciclos, manter-se em equilíbrio e integrado, é ação sobre as coisas, estar em consciência plena, nossa parte na construção do futuro que virá. Estar conectado à um todo natural, que existe antes de nós e continuará a existir.
A responsabilidade é maior porque sabemos.
 Houve tempo em que os homens estavam integrados aos ciclos da Natureza. Quando mudava-se o ambiente, o clima, a fartura, era tempo de partir, quando findava uma estação, outra se iniciava; era tempo de mudança e reorganização das prioridades, é momento de colheita (seja ela real ou subjetiva, de modo ampliado), de resguardo, ou de busca. É espelho do que acontece fora de nós, o que acontece dentro.
 É resignificar os termos.

Um exemplo, quando minha cadela pariu um filhote doente, debilitado, ela o cheirou, matou e comeu.
Fez isso com delicadeza. Esse gesto me ensina muito sobre o entendimento mudo e senciente dos animais sobre a finitude. O filhote não sobreviveria, e se sobrevivesse seria com dor e sofrimento. Ela é a mãe e fêmea, que dá mas precisa tirar também, quando é necessário.
É esse equilíbrio natural de que estou falando.
Os ciclos começam, terminam e recomeçam, na sua própria razão de existência.
O que se apresenta de uma forma, finda, e pode se apresentar de outra forma e formato depois.
Se e quando for o tempo.
Não quando o ser humano decide arbitrariamente abreviar vidas, ou tentar possuí-las.

Acho que a espiritualidade, está sempre presente, e pode ser compreendida como responsabilidade sobre o meio. E é respondente nessa compreensão. Há distorção nesse entendimento, quando é apresentada como "consolo", ou "superstição".
É deturpado e enfraquecido, eu penso, o conhecimento espiritual que se afasta dos ciclos da natureza - e por isso de comportamento naturalmente humanos - para ser substituído por atos e atitudes artificiais.
Chamo de artificiais aqui, todos os excessos e/ou artifícios humanos que os distanciam dos seus ciclos. O saudável, de modo simples faz bem a você e ao meio ambiente.  Dentro dessa questão, se alongariam infindáveis 'senãos', 'poréns', 'entretantos'...Não é uma dissertação ou uma tese. Estou me limitando a pensar o que pensei agora. Esse espaço é do pensar. Ser consciente unida à responsabilidade se traduz em ser consciencioso.
Aqui, espiritualidade é cuidado consigo e com o outro, é responsabilidade com a Natureza e tudo que vive.
Perdas, decisões, términos e partidas seriam muito menos dolorosas, ou sofridas, se tivéssemos um entendimento de plenitude no total e na unidade. Nós, um grão pequeníssimo na roda que circula.   Pareceria tão desimportante quanto é significante.
















Pensamentos no fim de um dia.

*Livro, O Existencialismo é um Humanismo, Sartre, J- P.

julho 29, 2014

Compasso que respira (..)

Antes era Vietnã, hoje Síria, Ucrânia, Iraque, Gaza... 
Pessoas em geral pensam que vida, é o que acontece com elas entre o nascer e o morrer. Esquecendo o que já havia muito antes de nós, e o seguimento muito depois. Quem tem filhos, ou está para ter, costuma pensar sobre isso, em que mundo vai nascer. Eu que não tenho, penso  nessa continuidade de vida-morte-vida... O que o individualismo vai fazer por este planeta? O que temos feito pra melhorar nossa convivência..
Não é pensamento individual que ajudará. Mas pode ser um começo.

Ouço essa música como um mantra atemporal, devido à tudo que acontece por aí...


julho 23, 2014

Cem Zen.

Conheci um praticante esforçado de yoga
e o esforço o impedia de voar.
Conheci um compenetrado adepto da meditação
e a compenetração o impedia de voar.
Conheci um devotado ritualista da religião
e o ritual o impedia de voar.
Conheci um atento observador da ego trip
e a trip do ego o impedia de voar.
Conheci um caminhante que não se esforçava
nem se compenetrava,
ritualizava, teorizava ou observava o próprio
caminhar ou caminho.
Quando olhei, parecia um homem que andava
mas é possível que fosse um homem
que simplesmente voava.
                    Ulisses Tavares.


julho 22, 2014

Fragmentos

Se fosse apenas, era pena do vôo raso.
Desanuviar as vistas, e entre o antes e o depois, o inclassificável.
Refeita de ser previsível nome, pessoa, endereço, destino desfeito:
só enquanto inquietante.
O desassossegado durante.
Espaço, tempos, fração.
 Se me satisfizesse em ser aqui e agora, era quase nada.
Deslimite. Apago. Borro os bordos.
Meu princípio é ser o sempre.
É feita em pedaços, as partes, as partículas, a fragmentária parte que engloba o todo.

A escolha da hora.
O passo vagaroso.
Antítese das maneiras
desacostume.
Deleite do meio termo.
À folga da morte
à biografia dos começos.
A memória do tempo,
Nada está como é.



Não me explico. Palavras são parcas. Abstrações precárias.
Me entendo com o interior. Os silêncios cheios. As intuições.

julho 21, 2014

O Menino e o Mundo

Era uma vez um menino 
que pegou emprestada as asas de fênix e voou
 guardou a música que ouviu
numa lata embaixo da terra,
Inventou beleza com os sons e a Natureza
pela forma como as via.
Era uma vez..
Era uma vez...
O Menino e o Mundo.





julho 18, 2014

Ídolo

Arte, Patrice Murciano
"Nosso medo mais profundo não é de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é de sermos poderosos além da medida..          É a nossa Luz, não nossa Escuridão que mais nos assusta".
Nelson Mandela (18/07/18 - 05/12/13)

julho 16, 2014

Under the skin

  Abaixo da pele, os sentimentos são únicos, textura singular de envolvimento, inspiração.  Outro universo.

Oráculo da Deusa

O que parece disperso, está sob um sentido próprio de ordenamento. O que parece estar fora de lugar, se assenta, e se internaliza. Antes de realizar, o planejamento, a fluidez, a disciplina. A organização é orgânica; é móvel, dinâmica. Observo meu ritmo, meu tempo, e os retornos. Nu Kua é ordenamento sereno.

guardar o essencial



Interregno

Faxina de coisas guardadas por muito tempo. Muitas fotografias, e bilhetes, cartas de amor,
cartas de términos, amigos que se mudaram,distância apenas física; cartões, lenços, dedicatórias, pedidos, desabafos, ira, alívios. Ciclos.

Alguns eu decido guardar, e por quê, quem decide é a intuição emocional.
Ver ir embora limpa, e dá lugar pra atualizar bagagens, novas apreensões.
Não é jogar fora, é selecionar e discriminar.
Não se elimina, se renova, esse é o ordenamento.

Oráculo das Deusas

Lugar de meditar...

julho 13, 2014

Rock my world

Primeira música de rock n' roll que ouvi foi 'O astronauta de mármore' que era uma regravação da original de David Bowie. Década de 90 em Salvador, pra quem gosta de rock era Lisergia, Inkoma, Cascadura, Scambo, Dois Sapos e Meio, Palhaços do Universo, Alhos e Bugalhos, The Dead Billies... E o local era o Calypso (ou Colapso, entre os mais frequentes e íntimos) Café e Cultura, ou Anexo. Adolescência, de camisa do Legião Urbana e Nirvana. Gosto até hoje.
Nirvana era minha febre. Tinha não só as camisas, as músicas todas, lia tudo a respeito, gostava de discutir se Polly era uma mulher que foi aprisionada, se Heart Shaped Box fala do casamento de Kurt e Courtney ( gostava dela, às vezes detestava), e que Come as You are, era banalizada por todos e sub utilizada nas rádios e pela mídia. Aprendia a gostar da poesia com distorção de guitarra, com volume alto, e voz rasgada, e gritada. Cheguei a dormir com a bandeira do Kurt, como cobertor. Queria dormir  e sonhar com as possibilidades, embalada pelos acordes..

Quando se tem 15, 16 anos... Essas músicas falavam muito de desilusões, de amor, encontros, reencontros de ser um E.T. entre as pessoas. Música salva a gente, quando tudo o mais é em tons cinza. Adolecer,  na palavra embutida de intensidades sem fim. Portal magnético dos sons que levam e trazem emoções. Você põe pra tocar, e não está mais sozinho. Aquela música, ritmo, a melodia, e estamos todos no mesmo lugar.
Porque se o gosto é por isso ou aquilo, o tema da música é universal. E se falamos de encontro, de perdas, de uma noite fantásticas com as sombras da cidade, em qualquer lugar nos entendemos. Música é linguagem comum pra qualquer parte do planeta.
Lou sempre cantou loas de personagens insólitos e adoráveis, com amor incondicional.
Que pessoa não sentiu a leveza de um amor novinho com Robert Smith eufórico em Friday i'm love ? Ou reafirmou suas convicções feministas com Woman is the Nigger of the World. A temática gay está clara e muito bem humorada numa letra que diz "Pra que pensar na complexidade do mundo, quando o couro é macio e liso no banco de passageiro? Será que a natureza ainda vai fazer de mim um homem?" Oooh, this Charming man... Ideologias em Cazuza.  Guns of Brixton fala do confronto entre polícia e civis, e fazia lembrar no incidente na escola de Direito da Ufba, em 2001, época do coronelismo de ACM.  Plebe Rude e as letras de vanguarda do rock nacional, sobre o fosso social entre as classes. Fosso não, cânion.


As desilusões amorosas tem opções de sobra pra fossas cada vez mais profundas. E se é pra sorrir e se divertir, os eternos meninos do Ramones são ótima companhia.   Da escolhas do Grunge, Screaming Trees, Pearl Jam, Alice in Chains... Dos 17, 18, 19 anos o som foi mudando Mais glitter ! Do xadrez, e calças rasgadas, pra Glam Rock purpurinado: T-Rex, Bowie, Lou Reed e The Velvet Underground, Venus in Furs, Alice Cooper, Tutti Frutti, Mutantes e Secos e Molhados, o Brasil também me inspira, e muito. Mas o Brasil copiava muito do estrangeiro, no L.U. Renato Russo ora copiava os Beatles, ou o Joy Division descaradamente. Ele queria ser Ian Curtis, e eu brincava de cantar isso tudo. Uma delícia. Nem falei da fase gótica e pós punk, Siousie and the Banshees, Echo and Bunnyman, Bauhaus, The Cult, The Cure, e Joy Division. Neste último, um amigo disse que eu fiquei obsessiva, "toque de novo.. a última vez!"  Recuperei um álbum "Sanctuary" - 26 gothic anthems. O filme Velvet Goldmine, eu vi tanto, que decorei as falas. O visual nesse calor infernal era difícil, mas se a maquiagem borrava ou o esmalte era descascado, pra mim tanto fazia, até melhorava a intenção.

Depois da adolescência, os sons foram variando, dos mais sérios até os mais toscos, que meu gosto é como uma miscelânea democrática e bem humorada. Pode ser Pink Floyd, pode ser Sociedade da Grã Ordem Cavernista apresenta sessão das 10". Pode ser Belle and Sebastian or The Stooges,  Astrid Gilberto ou The Clash, Led Zeppelin ou Lula Cortez e Zé Ramalho no Paêbirú. Chuck Berry para dançar ou Simon e Garfunkel, para lembrar de quando batia na altura dos joelhos e via a cidade de um Passat verde musgo. Me encantei por Bob Dylan e ainda tenho uma gaita aqui! Até os clássicos Jonh Lee Hooker, Mississipi Blues, Janis, Edith Piaf, Chet Baker... A fase blues e folk não passa, nem passará.
Sinto todas as fases e todas as idades. Vou e volto nelas e ainda redescobrindo rocks atuais.
Ainda volto cá, pra acrescentar, editar, já que sei que deixei de fora muitas bandas da lembrança emocional. Trilha sonora de memória emotiva infanto juvenil e adulto.






Legendas: meu carnaval Nirvana, Joplin in aquarela, beijo Jonnny Rotten and Sid Vicious, Jonathan Rhys Meyers e Ewan Macgregor Velvet Goldmine, Patti Smith - Horses, Cate- Bob do filme I´M not There,
Bauhaus álbum, "punk not ded" de Persépolis, Iggy-yoga, ternura: Kurt and little cat, Robert Plant e o símbolo da paz, Rock me Mona Ramones.