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janeiro 30, 2014

Uma busca, um achado; e desejo reencontrado

Olhar enevoado,
neblina pra turvar os traços,
quando o sorriso é tão triste..
Como se fizesse um grandessíssimo esforço pra sorrir.
Sorrisos mentem.
E mentem bem.
Lágrimas mentem também ?
Quem foi que afirmou, advogou sobre a dissimulação dos órgãos?
Esqueça o corpo. O corpo não importa.
Os corpos até se parecem, um após o outro.
A mente também mente. No que se fiar de garantia...
Quebra de protocolo (traveiz)

Eu vou atravessar sua carne, sua pele, seus filtros todos,
suas defesas, as maquiagens,
e chegar até você.
Ver você.
Atravesso os oceanos, os pântanos e as montanhas;
tudo será de um só fôlego, e a persistência cega, obstinada.
Vou chegar até você, e quando chegar,
como ave exausta, molhada, magra, descabelada,
que não parou nem pra beber ou comer,
pois que a fome ou a sede são as mesmas;
percalço pelo entendimento claro, translúcido, do que você é.

Para isso me torno toda olhos, e quando achar que não, ainda estou olhando.
Olho com meu corpo inteiro, insegura, tentando, tateando, aquilo que pode ser.
Só paro quando encontrar.
Morrerei tentando. Mas não morrerei; antes disso eu encontro..
O que procura, me pergunta de soslaio, com seu olhar mudo.
Capturar o fugidio.    Vislumbrar seu segredo.
Eu quero o encontro das'almas.  




Escrever é isso, chorar sem dor.
Um alívio.
´Por enquanto.

3 comentários:

  1. ...e já n era mais o que pensara que fosse!

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    1. Mas e quem – qualquer um – saberia o que procuro? Talvez todo mundo esteja concentrado em sua própria busca, que olhar pros lados é muito. Então, mesmo que esteja à sua frente, não perceberia.
      Vez ou outra, faço daqui um confessionário de coisas inconfessáveis. Noutras rasgo a alma, mas não é seda...

      Como vi/ ouvi por aí "O que é o que é?
      A chave escondida em lugar tão fácil, tão óbvio, que você não dá por ela".

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