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março 31, 2014

29/03


Tu tens um medo: 

Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Cecília Meireles.

Todos os Nomes

Chamaram-no de mar
aquilo que não tinha nome.
Mas tamanho à perder de vista no horizonte.
Chamaram-no de ciúmes
da falta à ausência que não mais podia nem cabia encobrir.
Ilusão de poder e controle que destroem e corroem.
Chamaram-no de amor
a sensação de transbordamento que invadia
toda sua existência, e marejava, ondulando seus sentidos, sua boca, pensares, palavras;
 se realizava em ser.

Ao contrário do que se diz, religião seja qual for, tem um fundamento principal, que se une a toda e qualquer cultura e tempo, amor e respeito a outro, à Natureza e a si próprio. Ninguém precisa ir tão longe nos estudos, pra se saber isso. Se sabe, simplesmente.  Se sente. Bruxaria, magia ou qualquer outra religião tem nisso uma base firme. Despertar, inspirar, impulsionar nos outros suas habilidades.. Nem precisamos de orgulho, de vaidade... Ou de autorização para seguir seus preceitos mágicos. Tenhamos cuidado, no mínimo zelo pelo que dizemos seguir. Não é difícil, nem custará nada, se tivermos esse mínimo de decência, o respeito, o Amor, esse maiúsculo, que nos ensina mais que tudo.


          

                                           “..., não falta amor - falta amar.”  Amor, doçura e leveza: sempre
                                                                 — Caio Augusto Leite

ser-tão-ias

E se é antes amor:
o que se chama esse transbordo
esse carinho, esse coração vagabundo...
Olha, ouve, se eu te digo;
estão todos querendo amar.
Estão ensopados, volúveis, entregues.
Te deram a permissão. (Tu precisas de pedir consentimento ?)
Tu precisas, é aceitar a modéstia.
Modéstia de saber-se minúsculo e imenso.
E sabes,
Em todas as bocas estão a falar...
Em becos, e esquinas,
En palestras e universidad, et all.
de brujos e hadas.
Em cochichos e risos, estão a dizer,  proferir;
Magos e... hadas!
Todos eles, re misturam se entre si
e murmuram,
"San estos seres humanos que nos nomifican, ou nos proferen en serio...?"

Riscado a solenidade.
Somos o que nos dizemos e fazemos de nós.
 Somos -

março 25, 2014

Descartes com Lentes*

As perguntas Cartesianas são:  Quem pôs a luz no cu do vagalume?
                                    Ver é uma fábula.
                                                       Esse é o lugar do desvario.
                                             Nem signos, nem sinais.
                                                                Pensamento é susto.

O enlouquecimento da razão se comprova na Terra Brasillis tupiniquim pelo anti-empirismo. A dúvida metódica: ¨Aqui sou eu o bárbaro que não entende.¨
    Chega de tentar entender, pelo pensamento só não se consegue! Como é possível colocar essas cores, esses cheiros exuberantes, os corpos seminus, o sistema analítico e metódico dá tilt, pandemônio.
Cogito ergo sun é o gosto dessa fruta, onde toda e qualquer tentativa de desvendar é coibida pelo impossível. O que impera aqui nesta terra é a vanguarda de todas as lentes científicas, o impossível posto na realidade à minha frente, desnorteado. Delirium ergo sun.                                  
  
" Nestes climas onde o bicho come os livros e o ar caruncha os pensamentos, estas árvores ainda pingando as águas do dilúvio. Ah, Brasil, Parinambouc, minha Tróia, este mundo é sujeira; este mundo não sai: é uma sujeira em meu entendimento no vidro de minhas lentes".




*Um fluxo de linguagem, que reinventa a língua.
Uma construção literária que imagina a vinda do filósofo René Descartes 
para o Brasil na caravana de Maurício de Nassau.
O confronto entre as prerrogativas do pensamento cartesiano e outras formas do saber, 
baseadas nos fluxos exuberantes da Terra Brasilis.
Um solo com a atriz Nadja Naira, que percorre os acidentes narrativos 
desse texto de juventude do poeta-farol Paulo Leminski.

Bike way of life¹


Bike way of life


março 12, 2014

Gestação

"...Eu sempre sonho que uma coisa gera, nunca, nada está morto.
O que não parece vivo aduba, o que parece estático, espera."
Adélia Pradeando-me
                                                   




Aqui jazz

¨Detesto jazigos, plantem um jardim sobre mim¨
C.A.





Eu é que me animalizo

"Ter bicho é uma experiência vital. E a quem não conviveu com um animal falta um certo tipo de intuição do mundo vivo.  Quem se recusa à visão de um bicho está com medo de si próprio". [...]

"Conheci uma mulher que humanizava os bichos, conversando com eles, emprestando-lhes suas próprias características. Mas eu não humanizo os bichos, acho que é uma ofensa
- há de respeitar-lhes a natureza -                          eu é que me animalizo ".

Clarice. 



Essa existência não cabe em meu sonho. Antes de tudo existir no concreto, existe na minha imaginação.
Se eu imagino,então existe. Tudo existe. E tudo está.
 Sei onde está o começo, não onde terminará.


Am gaeeth i m muir                                                                                         
Am tond trethan 
Am fuaim mara 
Am dam secht ndirend 
Am séig i n aill
"Sou o vento sobre o mar
 sou a onda tempestuosa
sou o som do oceano
sou o touro com sete chifres
sou o falcão no despenhadeiro".
Duan Amhairghine

março 11, 2014

Poda e Renovo

A planta só cresce quando atenciosamente cuidada, e às vezes podada. A poda, é retirar aquilo que já não cabe mais, que precisa ser retirado pra dar vigor e renovo à planta.

Do mesmo modo com as pessoas. Sinalizar quando algo não cabe, quando é desnecessário, ou impróprio deve ser feito. Se isso persistir,
e porque creio que vale a pena algumas vezes, porque nos importam, dizer com todas as letras. Mesmo que seja sinalizado, enfatizado, e por mais de uma pessoa. Se nada disso adiantar? Aguardar que o tempo, a paciência, e as situações, em seus ciclos, se repitam noutra condição, para que se torne a pensar o que não funciona mais. A psicologia e a vida, nos impõem e empurram essas mudanças. Porque não gostamos de algo que é nosso, não significa que não exista, e ainda; que  não seja percebido em volta. (Lutar contra é inútil - quanto mais se nega ou reprime, mais forte e distorcido voltará). Chama-se projeção quando atribuímos a outrem, características nossas. Como o que não gostássemos em nós, fosse visto pelo olhar do outro, então é do outro. Mas na verdade é nosso, e queremos inverter o espelho. É o Narciso invertido, que não gosta do que vê.
  É com delicadeza que se percebe`, e cuidado ao devolver isso ao outro, a quem pertence. A “poda” é benigna, e benéfica: permite que a planta cresça e se renove. Há que se deixar o antigo dar lugar ao novo; velhos hábitos saem, padrões de comportamento desgastados, repetições de posturas errôneas, (e até que se diga algo, o inverso pode retornar, numa forma, lugar, pessoa e tempo, diferentes - ainda o mesmo).