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março 25, 2014

Descartes com Lentes*

As perguntas Cartesianas são:  Quem pôs a luz no cu do vagalume?
                                    Ver é uma fábula.
                                                       Esse é o lugar do desvario.
                                             Nem signos, nem sinais.
                                                                Pensamento é susto.

O enlouquecimento da razão se comprova na Terra Brasillis tupiniquim pelo anti-empirismo. A dúvida metódica: ¨Aqui sou eu o bárbaro que não entende.¨
    Chega de tentar entender, pelo pensamento só não se consegue! Como é possível colocar essas cores, esses cheiros exuberantes, os corpos seminus, o sistema analítico e metódico dá tilt, pandemônio.
Cogito ergo sun é o gosto dessa fruta, onde toda e qualquer tentativa de desvendar é coibida pelo impossível. O que impera aqui nesta terra é a vanguarda de todas as lentes científicas, o impossível posto na realidade à minha frente, desnorteado. Delirium ergo sun.                                  
  
" Nestes climas onde o bicho come os livros e o ar caruncha os pensamentos, estas árvores ainda pingando as águas do dilúvio. Ah, Brasil, Parinambouc, minha Tróia, este mundo é sujeira; este mundo não sai: é uma sujeira em meu entendimento no vidro de minhas lentes".




*Um fluxo de linguagem, que reinventa a língua.
Uma construção literária que imagina a vinda do filósofo René Descartes 
para o Brasil na caravana de Maurício de Nassau.
O confronto entre as prerrogativas do pensamento cartesiano e outras formas do saber, 
baseadas nos fluxos exuberantes da Terra Brasilis.
Um solo com a atriz Nadja Naira, que percorre os acidentes narrativos 
desse texto de juventude do poeta-farol Paulo Leminski.

2 comentários:

  1. Uma superação bonita do cartesianismo pode se vista também no livro O Ponto de Mutação, de Capra. Inclusive tem uma versão em filme.

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    1. Vi o filme, com Liv Ullman, mas não tenho o livro. Vou procurar, valeu a dica. Sobre o texto-poema O Catatau de Leminski, tem um filme também, ¨Ex isto¨, mas dizem não ser tão bom quanto o texto.
      Bjo, frau Schade :)

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