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abril 02, 2014

Numinoso

Contemplar o céu noturno é uma das atividades mais antigas do homem. Em volta da fogueira, povos antigos perpetuavam um costume valoroso e de reverência aos mistérios. Assim como os lobos apontam para o céu, ou a lua, num som que mistura lamento, saudade, e adoração; Reunidos, o som mais primitivo de seus ancestrais, um chamado para que estejam com eles.
Os homens também o fazem, erguendo a cabeça para o céu; o misto de assustadora compreensão
de sua extensão não-humana, admiração em absorver esses signos.

Olhando para o céu e dentro das estrelas, a fixidez dos diamantes, não emitimos nenhum som.
Ao invés dos lobos em sua saudação; só no silêncio inquieto,
com as pupilas dilatadas pra alcançar a visão da noite, a eletricidade do corpo como testemunha.
Assim toda a transmissão, a troca cósmica, nesse instante, e somente nesse instante fora do tempo,
se disseminou um algo, um estado tal, um conhecimento que nos atravessa como a própria luz,
incorpórea, imaterial, real como este aqui e agora.
A humanidade inteira na mesma memória ancestral, o primitivo e o presente, os homens e o lobos -
a substância que reúne aquele Universo em Si.


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