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abril 22, 2014

Cultura e restrição

" A natureza das culturas e dos complexos negativos consiste em se abater sobre qualquer discrepância entre o consenso sobre o que é o comportamento aceitável e o impulso divergente do indivíduo.
(...)
Se recuarmos diante do coletivo, cedendo às pressões no sentido de um conformismo irracional, estaremos protegidas do isolamento, mas, ao mesmo, tempo, estaremos também traindo nossas vidas selvagens e as colocando em risco. 
Há quem pense que já se foi o tempo em que chamar uma mulher de selvagem equivalia a xingá-la. Se ela for rebelde, ou seja, se agiu de acordo com a natureza de seu self profundo,  ela foi classificada como de "errada" ou "má". O que mudou foram os tipos de comportamentos que considerados "descontrolados" no caso das mulheres. Em diversas partes do  mundo hoje em dia, se uma mulher toma uma posição política, social, ou ambientalista, é muito frequente que suas motivações sejam examinadas para detectar se ela "perdeu o controle", ou seja, se enlouqueceu. (...)
Ás vezes a única saída alternativa a adotar diante de uma coletividade ressequida consiste em perpetrar um ato impregnado de coragem. Esse ato não tem necessariamente de provocar um terremoto. A coragem significa seguir o coração. Há milhões de mulheres que realizam atos de enorme coragem todos os dias.
Não é só o ato singular que reformula uma coletividade encarquilhada, mas também a continuidade desses atos. 

Uma psicologia abrangente deve incluir não só o corpo, a mente, e o espírito, mas também, e de modo idêntico, a cultura e o ambiente."

Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que correm com os Lobos - Cap 8. A preservação do Self .

Apenas pra ficar na mesma autora, ao tratar da cultura e do ambiente na construção da identidade espiritual e seu desenvolvimento, outros autores tratam do mesmo tema, em B.F.Skinner, Piaget, Marlow, Freud ( no ótimo O Mal Estar na Civilização), Adler, etc...

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