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maio 08, 2014

A Sabedoria Senescente

Quando nos tornamos "velhos" somos menos eficientes em muitas coisas. Lembrar das coisas se torna mais difícil, começar e terminar uma tarefa leva mais tempo, ouvir, entender... Tudo precisa de mais tempo.Um ritmo próprio. E algumas coisas perdem significado, ver, ler, ter, vestir ou usar tal coisa.. modismos em voga. Algo vai mudando com o tempo. Algumas coisas se tornam muito importantes, outras não tem nenhuma importância, se algum dia já tiveram. O que é excessivo sai, o excesso dá lugar ao essencial. Estar sadio corresponde a sentir menos dor, ou minimizar desconfortos. As vezes não se fala tudo que sente, mas está tudo ali dentro, um universo permeado de mil sensações, e recordações das pessoas em volta. Gosto muito de entender os olhares. Se é realmente a janela da alma, o olho como lente captura sentimentos profundos e emoções sutis, captura e os traduz num olhar expressivo. Disse uma vez, que mais do que ouvir o que as pessoas dizem, é bom ouvir o que elas calam. Os olhos de uma senhora vívida, calam inúmeras palavras incontidas.
E se você pegar na mão dessa senhora, que é tão íntima sua, e olhar suas mãos, quantas linhas não contam histórias, quantos traços dessa vida não explicam sua trajetória. Como uma grande árvore com todos os seus ramos, curvas, cheiros, e desenhos, as senhoras idosas são este precioso ser de sabedoria quieta. Sorri numa aquiescência onde reina esse saber, já ter visto e sentido tanto,  calma sabedoria que me atravessa.



Penso em minhas avós. E em avós e avôs todos eles.

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