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julho 13, 2014

Rock my world

Primeira música de rock n' roll que ouvi foi 'O astronauta de mármore' que era uma regravação da original de David Bowie. Década de 90 em Salvador, pra quem gosta de rock era Lisergia, Inkoma, Cascadura, Scambo, Dois Sapos e Meio, Palhaços do Universo, Alhos e Bugalhos, The Dead Billies... E o local era o Calypso (ou Colapso, entre os mais frequentes e íntimos) Café e Cultura, ou Anexo. Adolescência, de camisa do Legião Urbana e Nirvana. Gosto até hoje.
Nirvana era minha febre. Tinha não só as camisas, as músicas todas, lia tudo a respeito, gostava de discutir se Polly era uma mulher que foi aprisionada, se Heart Shaped Box fala do casamento de Kurt e Courtney ( gostava dela, às vezes detestava), e que Come as You are, era banalizada por todos e sub utilizada nas rádios e pela mídia. Aprendia a gostar da poesia com distorção de guitarra, com volume alto, e voz rasgada, e gritada. Cheguei a dormir com a bandeira do Kurt, como cobertor. Queria dormir  e sonhar com as possibilidades, embalada pelos acordes..

Quando se tem 15, 16 anos... Essas músicas falavam muito de desilusões, de amor, encontros, reencontros de ser um E.T. entre as pessoas. Música salva a gente, quando tudo o mais é em tons cinza. Adolecer,  na palavra embutida de intensidades sem fim. Portal magnético dos sons que levam e trazem emoções. Você põe pra tocar, e não está mais sozinho. Aquela música, ritmo, a melodia, e estamos todos no mesmo lugar.
Porque se o gosto é por isso ou aquilo, o tema da música é universal. E se falamos de encontro, de perdas, de uma noite fantásticas com as sombras da cidade, em qualquer lugar nos entendemos. Música é linguagem comum pra qualquer parte do planeta.
Lou sempre cantou loas de personagens insólitos e adoráveis, com amor incondicional.
Que pessoa não sentiu a leveza de um amor novinho com Robert Smith eufórico em Friday i'm love ? Ou reafirmou suas convicções feministas com Woman is the Nigger of the World. A temática gay está clara e muito bem humorada numa letra que diz "Pra que pensar na complexidade do mundo, quando o couro é macio e liso no banco de passageiro? Será que a natureza ainda vai fazer de mim um homem?" Oooh, this Charming man... Ideologias em Cazuza.  Guns of Brixton fala do confronto entre polícia e civis, e fazia lembrar no incidente na escola de Direito da Ufba, em 2001, época do coronelismo de ACM.  Plebe Rude e as letras de vanguarda do rock nacional, sobre o fosso social entre as classes. Fosso não, cânion.


As desilusões amorosas tem opções de sobra pra fossas cada vez mais profundas. E se é pra sorrir e se divertir, os eternos meninos do Ramones são ótima companhia.   Da escolhas do Grunge, Screaming Trees, Pearl Jam, Alice in Chains... Dos 17, 18, 19 anos o som foi mudando Mais glitter ! Do xadrez, e calças rasgadas, pra Glam Rock purpurinado: T-Rex, Bowie, Lou Reed e The Velvet Underground, Venus in Furs, Alice Cooper, Tutti Frutti, Mutantes e Secos e Molhados, o Brasil também me inspira, e muito. Mas o Brasil copiava muito do estrangeiro, no L.U. Renato Russo ora copiava os Beatles, ou o Joy Division descaradamente. Ele queria ser Ian Curtis, e eu brincava de cantar isso tudo. Uma delícia. Nem falei da fase gótica e pós punk, Siousie and the Banshees, Echo and Bunnyman, Bauhaus, The Cult, The Cure, e Joy Division. Neste último, um amigo disse que eu fiquei obsessiva, "toque de novo.. a última vez!"  Recuperei um álbum "Sanctuary" - 26 gothic anthems. O filme Velvet Goldmine, eu vi tanto, que decorei as falas. O visual nesse calor infernal era difícil, mas se a maquiagem borrava ou o esmalte era descascado, pra mim tanto fazia, até melhorava a intenção.

Depois da adolescência, os sons foram variando, dos mais sérios até os mais toscos, que meu gosto é como uma miscelânea democrática e bem humorada. Pode ser Pink Floyd, pode ser Sociedade da Grã Ordem Cavernista apresenta sessão das 10". Pode ser Belle and Sebastian or The Stooges,  Astrid Gilberto ou The Clash, Led Zeppelin ou Lula Cortez e Zé Ramalho no Paêbirú. Chuck Berry para dançar ou Simon e Garfunkel, para lembrar de quando batia na altura dos joelhos e via a cidade de um Passat verde musgo. Me encantei por Bob Dylan e ainda tenho uma gaita aqui! Até os clássicos Jonh Lee Hooker, Mississipi Blues, Janis, Edith Piaf, Chet Baker... A fase blues e folk não passa, nem passará.
Sinto todas as fases e todas as idades. Vou e volto nelas e ainda redescobrindo rocks atuais.
Ainda volto cá, pra acrescentar, editar, já que sei que deixei de fora muitas bandas da lembrança emocional. Trilha sonora de memória emotiva infanto juvenil e adulto.






Legendas: meu carnaval Nirvana, Joplin in aquarela, beijo Jonnny Rotten and Sid Vicious, Jonathan Rhys Meyers e Ewan Macgregor Velvet Goldmine, Patti Smith - Horses, Cate- Bob do filme I´M not There,
Bauhaus álbum, "punk not ded" de Persépolis, Iggy-yoga, ternura: Kurt and little cat, Robert Plant e o símbolo da paz, Rock me Mona Ramones.

2 comentários:

  1. Pensando, aqui, sobre gosto musical. Muito do que aprendi a gostar foi influenciado pelos próprios músicos. É claro que os familiares, os amigos, são importantes para educar os nossos “ouvidos”, mas no meu caso, os músicos são os grandes educadores!
    Sou bem eclética no meu gosto musical, e isso deve-se às minhas referências. Poderia citar algumas delas, adquiridas desde a minha origem, lapense: Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Elis Regina, Clara Nunes, Chico Buarque, Jorge Ben, Gilberto Gil, coisas que eu ouvia desde niña; além das fontes estrangeiras: Pink Floyd, Led Zepelling, Jeff Buckley, Rolling Stones, Lou Reed, Tom Waits, Frank Zappa... Sem contar que os músicos sempre têm também suas influências, bebem de outras fontes, o que acaba por ampliar ainda mais o nosso repertório.
    Atualmente discoteco e isso me fez me interessar ainda mais por música e pesquisar estilos. Não saberia dizer se me encaixo em algum, especialmente! Talvez porque gosto de vários, além de detestar esses rótulos bestas, acho que pra se mostrar moderninho(a). O que gosto mesmo é de vaguear entre esses vários estilos! E quando penso um set, costumo fazê-lo sem me preocupar se os misturo, ou seja, o faço sem qualquer consideração por fronteiras entre gêneros musicais nem qualquer tipo de regra. Escolhas subjetivas, que me agradam, podem agradar a outros ou mesmo causar estranhamento. Normal. Mas de uma coisa estou certa, adoro o velho e bom Rock'n Roll!

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