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janeiro 19, 2015

Latuff e a Liberdade

Só fui ler das manchetes do Charlie Hebdo quase dez dias depois. Acho que fiz bem, ânimos exaltados e rapidez pra tomar partido não ajudam a pensar. Depois que li, de momento fiquei pensando no Latuff cartunista e militante brasileiro que já pus aqui algumas vezes, e que admiro. Favorável à Palestina, condenou o atentado, mas se mostra contra a linha editorial da revista em questão. Bom, fiquei com essa charge e as idéias dele pensativa. É tudo liberdade de expressão? Humor, piada ? Talvez os brasileiros em geral estejam mais familiarizados com o humor e não tanto com a sátira social, que exige mais, que fulmina mais também. Há quem veja e ache grosseria, outros vão rir, o que determina então? Em outros tempos charges sobre a escravidão no tempo das colônias era normal, e hoje,  a piada  homofóbica parece estar tão naturalizada nas ruas... Mas aí ninguém se arisca a ser politicamente incorreto. Depende portanto de quem é o alvo das tiras. Você está do lado de fora ou de dentro da tira..? Todo mundo tem seu calcanhar de aquiles, todos. Se mexer com sua crença, não-crença, valores, seus sentimentos, então será o vespeiro. Tão rápida e fulminante vão ser as retaliações em retorno. Não será humor , e sim ofensa.
Acho que o que dá limites, é sempre o bom senso. Isso não seria restringir liberdades alheias. Leveza demais banaliza, vulgariza. Mas o humor é válido, e muito. Pode ser aliado revolucionário sim. Mais poderoso que as mortes? Uma charge, um desenho, um texto inteligente, instigante. O Peso poderia ser o da crítica social, da sátira. Mas o que faz uma charge ser inteligente, versus grosseira,  é o bom senso mesmo. Lembrei da frase de epitáfio que o Chico Anysio disse com humor " E agora, vão rir de quê?"
Fico na reflexão do Latuff, mesmo que seja pra me auto-incomodar.


É para rir, mas pode matar

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