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março 16, 2015

Março mês da Mulher.

 Recentemente foi dia da mulher. Não todo dia, como deveria ser, mas "o" dia para lembrá-la e receber as flores, antes e depois das agressões dos demais dias. E há poucos dias, foram as manifestações com cartazes misóginos à Dilma, procurando-os se encontram inúmeros, praticamente iguais no ódio e no ódio (mal) velado à brasileira, a chacota o escárnio.  

O que está por detrás do ódio à legitimidade de uma governante democraticamente eleita, é o machismo- sim, ele de novo, mola propulsora de outras diversas violências, misoginia, orgulho conservador ferido, recalques coletivos nos níveis cada vez mais intensos...  
O STJ deu vitória à Luciana Genro, e as declarações homofóbicas e misóginas de Levy Fidelix serão punidas com programas LGBTs, assistências, e multa histórica de um milhão de reais. No dia 9, Dilma sanciona a lei que trata o feminicídio como crime hediondo. Faz parte da política tolerância zero contra os maus tratos e violência à mulher brasileira -  mas a vitória tem gosto amargo; mulheres trans são excluídas da legislação. E a  homofobia ainda não é crime. Porques...
Não é só ódio sexista, racista, que gritam as pessoas nas ruas, em cartazes, em estádios de futebol, e em horário nobre político; é a manifestação reacionária aos valores de igualdade, respeito, e liberdade que o pensamento liberal e progressista trazem consigo, que enraivecem os conservadores de sempre.


A falta de pudor em expressar o ódio toma adeptos em milhares, e não são mais anônimos que o proclamam aos berros, é o seu vizinho/a, cunhado/a, amigo/a, parentes,... O cidadão "de bem".
O sujeito de bem, de mãos dadas com o militarismo, o conservadorismo, a religião xiita e xenófoba, e principalmente a vontade de poder já descrita por Adler, e por Nietzsche. Unidos contra a democracia. Demoniocracia Tupiniquim, vulgo Brasil.
Bom senso, moderação, tato, senso crítico se afastam à medida que se cresce o extremismo político, o ódio do cidadão de bem. O cidadão de bem grita, fere, empunha bandeiras, inflama seu ódio e estufa o peito para humilhar em nome da dita liberdade de expressão. Se usa dessa pretensa "liberdade" até para matar simbolicamente o outro, que não é Outro, sequer sujeito, ou indivíduo, e sim adversário e inimigo. Anular ou aniquilar sua presença, sua existência incômoda. 

A multidão que se vê nas ruas no mês da mulher, - como dia do índio, negro, que não sejam datas ''folclóricas'' e sim de debates atuais- é massa disforme e coesa somente em sua violência direta contra o diferente. Sendo o diferente tudo aquilo que desagrada a uma moralidade tosquiada que remonta o obscurantismo de outrora, à idade das trevas. 
Este cidadão de bem que veste a camisa do Brasil, orgulhoso de sua raiva, é bem parecido com o cidadão nazista que exigia a eugenia, a limpeza étnica, querendo eliminar tudo o que sujava a nação nazi-fascista.
Aqueles que tem críticas e argumentos contrárias ao governo petista, ou à própria governante, neste momento de agressões verbais e virtuais, pouco podem expressá-las, com o risco de cair em meio aos gritos e vociferações dos irracionais. E há tanto a dizer, os que esperavam um governo mais à esquerda se deparam com uma legenda PT mais ao gosto dos tucanos, com nomeações de cargos distantes da origem petista e agrados à bancada evangélica. Aliás "esquerda" e "direita" estão cada vez mais próximos, a tal ponto que ambos se misturam, se confundem, guerreiam e em seguida se dão as mãos em objetivos cada vez mais distantes da ética...
Interessante é que há jornalistas independentes fazendo cobertura ao vivo, e com resultado bem diferente da Globeleza; a mídia Ninja e Jornalistas Livres, além de muitos outros, artistas, pensadores, críticos, -em regimes totalitários, não são esses os primeiros a serem perseguidos, presos e exilados?- como Marcelo Rubens Paiva, Laerte, Eliane Brum, Sakamoto, nos dão um enredo bem diverso da mídia oficial.

Eu não tenho dúvidas de que vivemos um momento histórico atualmente (desde Feliciano e a CDH- ou pouco antes), em que forças conservadoras reagem cruelmente contra as liberdades humanas e individuais. E que não há mais espaço ou tempo pra indecisões a ficar em cima do muro, é preciso se informar das manipulações, simplificações grosseiras, e se posicionar no que se acredita. Se posicionar politicamente dentro e fora das mídias e redes sociais, dizer claro e direto o que se pensa, tomar partido não a uma sigla, mas participar das decisões do país. É pra ontem tirar esse capuz da timidez e assumir ser participante, questionador(a), ideologicamente ativo(a).

Um comentário:

  1. Só li verdades " E que não há mais espaço ou tempo pra indecisões a ficar em cima do muro, é preciso se informar das manipulações, simplificações grosseiras, e se posicionar no que se acredita."
    Precisava ler isso. Gratidão, Sol. Iluminou!

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