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junho 16, 2015

Pride

Raphael Perez


PÊSSEGO

Proust
Só de ouvir a voz de Albertine entrava em 
orgasmo. Se diz que:
O olhar de voyeur tem condições de phalo
(possui o que vê)
Mas é pelo tato
Que a fonte do amor se abre.
Apalpar desabrocha o talo.
O tato é mais que o ver
É mais que o ouvir
É mais que o cheirar.
É pelo beijo que o amor se edifica.
É no calor da boca
Que o alarme da carne grita.
                                                                 E se abre docemente
Como um pêssego de Deus.

Manoel de Barros.

'Poemas Rupestres', Ed Record, 2004, RJ.






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