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dezembro 17, 2016

Perguntas

Há amanhãs,
hojes, ontens.
 E todos eles significaram, e se reviraram antes de se decidir a ser.
e.... depois de escolher
Houve um suspiro;

Eu era tu;..
e tu era o que eu deveria ter sido
e, enquanto isso..
Eu queria tantoo, tanto, e ser tanto
Ser novo, ser jovem, ser outro, ser quem?

Seria esta eu mesma
num segundo estático estágio
nível subterrâneo
Pessoa outra,
que não se reconhece
tantas faces( e teus sinceros subterfúgios) 0
quem é essa no espelho, que te olha..?




dezembro 01, 2016

Estado Lúcido

Brecht e a sensatez

Dificuldade de governar
1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo como é difícil governar.
Sem os ministros
O trigo cresceria pra baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.
Sem o ministro da Guerra. Nunca mais haveria Guerras. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável que o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2.
E também é difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras aviadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo poderia falar-lhes na existência de arados?
E que seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio, onde já havia batatas.
3.
Se governar fosse fácil
Não haveria necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria patrões nem proprietários.
E só porque a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4.
Ou será que
Governar só é assim tão difícil, porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Bertold Brecht.

Tupiniquéins

Coktail pra os podres poderes,
elá fora os gazes, as bombas, as coisas que não dizem
Ainda que não venha tanto escrever cá, como antes, tenho pensado em toda essa conjuntura política de agora.  Todo esse ódio, que foi reprimido, ou melhor, até ocultado esses anos, décadas, enquanto o fosso social se alargava e se aprofundava. Alguns filmes refletem bem o que estou  pensando, como ''Mãe só há uma'', e ''Aquarius''. Finalmente ter conseguido que a empregada possa ter carro próprio, possa viajar de avião, possa ter férias remuneradas, tudo isso sempre foi de direito cidadão, mas não havia. (Ainda falta serem vistas como gente, assim como a negritude ser desmarginalizada, como sempre foi).

Mas ter pessoas próximas à você, apoiando os que vestem camisas da CBF, tiram selfies com policiais truculentos, trazem trios elétricos show-parada-desfiles de verde e amarelo.... É realmente embaraçoso. Parentes, família.  Esse é um dos focos. Não tenho vergonha nenhuma de ter ido à passeatas desde os 17 anos, em Salvador.  Há muito tempo que o vermelho, e as camisas da CUT, trabalhadores, operários, estudantes, grevistas, fazem parte de meu crescimento político. Não tive esse exemplo em casa.  Não há, acredito nenhum idealista, mas sempre houveram livros pra tal.  
Imagino que você deve estar pensando algo parecido com o que eu mesma penso; livros e cultura, ou informação não formam a ética, e o caráter de ninguém. E é verdade, fosse por isso, não haveriam tantos analfabetos políticos universitários, e tantos militantes, com vasta vivência e experiência nas desigualdades, nas injustiças diárias, na plena invisibilidade deles e sua comunidade, e isso sim forma caráter.
A questão aqui é de caráter moral: é insuportável pra a classe A ter o filho estudando na mesma escola/faculdade que a chamada classe C, D.. Ter bens que antes não tinham, ter o mínimo de poder econômico, flexibilizar o fosso social que sempre houve.  Pra os abastados (economicamente, mas não emocionalmente),  a hierarquia é vertical, cada um no seu devido lugar, e com os programas sociais, os projetos populares, as linhas que dividiam cada grupo estão mais fluidas... Impensável, e ameaçador pra uns, libertador pra outros, muitos. 

De qualquer forma, o ódio agora tem passe livre pra se espalhar por aí, agressões estão rolando à vista de todos, os alienados continuam seguindo a manada de alienados, e lendo a Veja e vendo a Globeleza, ou indo às compras da BlackFriday. Os trabalhadores fudidos, continuam fudidos, (só que agora mais que antes), e com promessas de irem mais abaixo da linha da dignidade...Os ímpios agora podem ladrar à luz do dia impunes. Enfim, em terras de Tupiniquéns, o horizonte continua o mesmo folhetim de paródia. Só que pior.


julho 16, 2016

Destinatino

E há outra coisa. Há uma escolha feita feita há muito tempo.
Algo que não se muda. Nem com a passagem do tempo, nem com as feições envelhecidas e leves.
Não há dificuldade. Sempre é, e pra sempre esteve ali. Tenho essa escolha. Ela foi feita. Escolhida, dentre outras. E não me vejo repercutindo. Outros lugares e estados, mas é. 
Sempre confiei mais em minha intuição, que em meu verbo dialógico. Mas não se perca de mim poesia...!
Falas minhas, e noutros discursos, brevidade escapatória...
Tu me escutas, só tu, o meu verbo que ecoa e ressona no horizonte de meu além ser...

Sempre é chamado. Às vezes atendido. 






(Amanhã falo do Temerário. Amanhã falo do machismo que me insulta e condeno. Amanhã falo dos anjos e impérios, do inconstante e do perpétuo, do que for terreno, seja lá o que for, do eterno e sagrardo, se isso tb for..)